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É ISSO AÍ...


Pensando no meu sentimento de pertencimento em relação a Itaparica, que por todo o tempo realço em meus escritos, acredito que nunca como neste momento tenha se encontrado tão marcante.
Será pelo fato do país estar sediando uma copa do mundo e fazendo com que o meu sentido de cidadã fique mais aguçado?
Talvez, mas também pode ser isto e toda uma carga de informações que fui colhendo ao longo de todos esses anos de observações e ponderações que vim armazenando e que, agora, faz o seu papel de estimulador ao passo seguinte que é a conclusão, talvez novamente como indutor a uma ação mais direta e, principalmente, lógica em meu próprio comportamento, o que de certa forma explica o fato de que, pela primeira vez, eu esteja me sentindo verdadeiramente também responsável pelo que considero minha terra.
Isso explica a minha até então quase repulsa em me engajar em projetos cuja conotação política partidária não fosse evidente e estivesse camuflada sob um véu de cidadania nunca verdadeiramente exercida, já que onde não existe educação estimuladora do senso cívico e, portanto, o despertamento pelo sentido de proteção e preservação de seu “status quo”, jamais poderá existir qualquer intenção genuína de entendimento e muito menos de pertencimento a qualquer local onde se tenha nascido ou se tenha escolhido viver.
Portanto, meu senso crítico sempre avaliou as declarações de amor e de devoção das pessoas em relação a Itaparica, fazendo sempre um paralelo com o comportamento delas na prática para então, de forma justa, determinar se as considerava potenciais agenciadores, executores ou ambos de qualquer ação palpável que pudesse vir a fazer alguma diferença desenvolvimentista no contexto geral .
Provavelmente, esta desconecção entre o discurso e a aplicabilidade, explique o atraso implicando na falência sistemática das instituições públicas e no contínuo desestímulo a uma participação efetiva, sepultando a cada instante vetores educacionais, caminho único capaz de reverter este percurso desastroso para qualquer civilização.
Esta cegueira induzida pelo partidarismo egoísta e desprovido de cidadania, mas esculpido aos moldes da ganância individual, se consolida através de contínuas negações dos fatos presentes, principalmente, no reconhecimento das limitações e dos méritos das conquistas, levando cada agenciador supostamente apaixonado pela cidade a se transformar em um agente doutrinário de dogmas absolutamente egoístas, pois defendem apenas ideias futuristas de seu próprio contexto político partidário sem, no entanto, servirem-se das realizações positivas existentes, fazendo delas alavancas de otimismo.
Otimismo este que, certamente, serviria como empíricos parâmetros avaliativos de um antes e de um agora, e que certamente ofereceria a outros estímulos inestimáveis que desenvolveriam o senso comum em cada criatura, ao invés de confundi-las ou enganá-las com a indução a apenas enxergarem o não ainda realizado ou, o que é pior, desenvolver nelas como vem acontecendo por todo o tempo, a suspeição em tudo e sobre todos que estejam envolvidos no processo, colocando-os em uma cesta de improbidades.
Em uma cidade onde o nível educacional formal é relativamente baixo e em alguns aspectos, absolutamente inexistente, poder-se-ia então definir-se que em “TERRA DE CEGO QUEM TEM UM OLHO É REI”, em detrimento de uma população carente, ingênua e crédula que se deixa envolver pela simpatia pessoal, pelas crenças religiosas ou pelas suas próprias carências, aceitando esmolas momentâneas ou agarrando-se a sonhos de um futuro que nunca chega, pois a ganância de poucos se alterna na manutenção da pobreza e da ignorância sistêmica.
Quando escrevo sobre filosofia poética ou quando posto amenidades, recebo muitas curtidas e alguns comentários, mas quando exijo de mim mais reflexões, expondo minhas aflições em relação a nossa cidade e na necessidade que percebo quanto a uma mudança drástica de posturas participativas, percebo-me só, tendo talvez apoio único de pessoas estranhas ao ninho, de outras paragens, que enxergam lógica nos meus raciocínios em sua maioria regados ao imenso amor que tenho por tudo e por todos desta bendita cidade.
O desenvolvimento educacional propicia o senso comum, despertando a lógica de que civilidade só se atinge quando o todo é visto e respeitado e é por isto que pessoalmente, apoio todas as conquista em prol do conforto e das melhorias sociais sem, no entanto, perder a condição de cidadã capaz de ter minhas próprias opções em termos de escolhas futuras, pois o fato da minha preferência ser deste ou de qualquer outro candidato, não me torna cega e maliciosa ao ponto de não enxergar os méritos desta gestão que por hábito recorrente, em tempos passados, agiu também desta forma triste, desacreditando uma gestão progressista, minando seus alicerces e limitando a visão de um povo que estava começando a sair de sua escuridão sistêmica.
Águas passadas não movem moinho, mas é imperioso frearmos esta forma cruel de se fazer política e é que sempre é possível, um recomeço, a construção de uma nova história, repensando velhas e costumeiras posturas para que verdadeiramente, possamos buscar amorosamente uma forma limpa, justa e transparente de desenvolvimento para que possamos chegar a uma Itaparica, mais humana para a maioria e não apenas para grupos pequenos que se alternam de quatro em quatro anos no poder.

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