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QUE DEMOCRACIA É ESTA?



Pois é... Setembro está chegando ao fim e logo ali, beirando as portas do tempo, outubro se aproxima com ares de seriedade de um mês de responsa, afinal é sempre ele que banca as eleições.

Enquanto outubro não chega por todo este vasto e complexo Brasil, a movimentação política se intensifica, levando as infinitas coligações à incalculáveis loucuras entre gastos financeiros e emocionais, e de um comício a outro, a moçada arrepiada, gasta sola de sapato, gasolina e coisa e tal, na obstinação última de convencer mais alguém.

Esta deveria ser a mais expressiva movimentação democrática se, aliada a ela, houvesse mais idealismo do que partidarismo, mais devoção à causa que interesses pessoais, mais dignidade de propósitos direcionados às necessidades comuns do que conluios e acertos entre pessoas e grupos.

Lembro-me da República de Platão e do que deveria ser e o que realmente é...

Lembro-me de uma vida inteira e só encontro o que realmente nunca foi e o que nunca esteve atrelado a ela, porque democracia em países como o nosso, antes de ser para o povo é um estado de direito sob a perspectiva de um único alguém, cujas argumentações convencem outros alguéns a fazerem dele um líder e, no assim por diante, chegam então ao povo que iludido pensa que escolhe, mas na realidade se envolve, na lábia mais doce, no carisma mais convincente e entre imagens e sons, a coisa toda acontece, favorecendo a uns em detrimento de outros.

Haja tantas vezes já visto, os enganos que se sucedem parecendo um inferno por não terem fim, tirando de nós as certezas, alimentando em nós, quando muito, esperanças.

Pergunto então consternada que democracia é esta?

Que não elimina a fome, não estimula a educação, não cuida de seus doentes e ainda mantem o povo proclamando o que ignora, através do nome postiço de esperança?

Que democracia, então, é esta?

Onde o ser humano é de segunda e o valor do poder é sempre de primeira.

 

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