Pular para o conteúdo principal

MARAVILHA, A PRIMAVERA CHEGOU...




Ela chegou ensolarada, brilhante, sensual, repleta de barangandãs prateados salpicando o meu mar de Ponta de Areia, fazendo com que o amor aflore abusadamente, rompendo as fronteiras do lógico, penetrando sem pedir licença nos labirintos dos sentidos.

O farfalhar das folhagens fartas dos coqueiros, lembram-me os sussurros apaixonados, e o vento quente vindo do mar que ora me toca de mansinho, arranca-me arrepios, despertando emoções parceiras, velhas e fiéis companheiras desta comportada senhora.

Entre um e outro pensamento quase que lascivos , percebo que sorrio sozinha enquanto escrevo, devendo estar rubra, sem, no entanto, sentir-me envergonhada e muito menos culpada por ainda, nesta altura de minha vida, constatar que sinto certas emoções que colorem o meu ser de mulher apaixonada, fervilhantemente encantada pelos frenesis de uma primavera que o meu outono cronológico, não consegue frear.

Será, então, esta sensação uma amostra da bendita felicidade que vem de forma invasora, mas que não maltrata, não fere e tão pouco faz sentir dor, deixando-me nas nuvens, bem pertinho dos céus?

Seja lá o que for, veio junto com a primavera, com os cheiros, as cores, o imaginário de uma eterna paixão, um sempre constante envolvimento entre o óbvio e  o concreto, entre o sólido  e o etéreo.

Coisa louca é a primavera que me fervilha o corpo, a mente e as emoções.

Que neste sábado, 22 de setembro de 2012, a sua primavera desperte, fazendo você também sorrir.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

AS MULETAS DO SÉCULO

A crueldade sempre esteve presente nos relacionamentos humanos, numa necessidade quase visceral de se estar torturando o outro, mesmo em pequenas escalas não tão explicitamente apresentadas, mas em doses homeopáticas, como é possível de se observar em qualquer instância do relacionamento humano. Precisamos evoluir...
Precisamos urgentemente dar uma parada existencial e refletir sobre tudo que vivemos, pensamos e sentimos e, principalmente, fazer um reflexão em tudo que achamos que deixamos de viver, pensar e sentir, não como um balanço de perdas e ganhos, mas como um gesto de carinho conosco, numa busca amiga de novos recursos que possam aliviar as dores do mundo que arrebanhamos e que nos flagelam, adoecendo e descaracterizando o que de melhor certamente ainda nos resta, que é a nossa genuinidade.
Afirmamos que não há tempo a se perder, e aí, por infinitos caminhos, o acaso de nossa insanidade nos faz parar, geralmente, tarde demais para qualquer retoque que se pensou em dar numa vida …