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FALÁCIAS, EUFEMISMOS e FIRULAS...


 
Exaustão ao ponto do corpo doer a cada centímetro e a mente se recusar a pensar com um mínimo de lógica, depois de assistir com total atenção analítica à sessão da Câmara de Vereadores de Itaparica por cerca de duas horas e meia consecutivas, ao som de gritos, palmas e vaias de uma plateia dividida entre partidários de Pastor Raimundo e da Profª Marlylda.

Falácias, eufemismos e firulas, sem que quase nada de concreto fosse apresentado ao público que, por sua vez, estava mais preocupado em ora aplaudir, ora vaiar, em uma demonstração triste de total falta de noção de cidadania e consciência da importância em conseguir-se dados esclarecedores que os guiasse a uma real compreensão do que significa um desvio em uma única secretaria da importância de R$ 500 mil reais com o agravante de isso ter ocorrido há cerca de cinco anos atrás sem que a referida câmara tenha se atido e denunciado tamanho absurdo cometido aos cofres públicos em uma cidade de proporções minguadas como Itaparica.

Meus olhos percorriam a plateia e voltavam imediatamente aos vereadores na busca de encontrar um só sinal de veracidade de propósitos, encontrando infelizmente, e aí sim, uma absurda falta de lógica de seriedade, fossem às posturas ou às palavras, todas ensaiadas, em sua maioria, como numa peça de autor político para atender a um público pouco interessado que ostensivamente foi levado e orquestrado para agir exatamente como  agiu.

Enxerguei tantas intenções, menos uma que deveria ser a prioritária e única que era justo o entendimento de quesitos básicos a todo aquele circo, ficando a alienação popular como manchete explícita, levando-me tristemente a perceber o quanto o povo, independentemente de suas diversidades econômicas e sociais, ainda se encontra preso a um comando emocional, digno de ser explicado pelos doutores da alma humana.

E pensar que durante meses esse assunto CPI, seguiu os caminhos tortuosos dos interesses individuais de candidatos, vereadores e políticos em geral, como num jogo de pingue pongue, onde os interesses de esclarecimentos sequer foram cogitados, tal qual também uma carta coringa que ora é levada ao conhecimento público, também por interesse deste ou daquele, frente a novas possibilidades de ganho político, sem que novamente o povo receba um vento sequer de verdade, e aí, lembro-me de setembro de 2009, naquele mesmo lugar, onde esta peça atual está sendo apresentada, nada mais representa que um “remake”  com outros personagens, mas com o mesmo enredo e os mesmos diretores e autores que na época arrancou aplausos e vaias, tal qual hoje, mas cujo prêmio somente os vereadores e meia dúzia de outros ganharam, ficando o povo e a cidade entregues ao léu do descaso e do abandono de todos os níveis.

Então entristecida, concluo que:

“Nada verdadeiramente mudou, tudo continua como dantes no quartel de Abrantes”.

 

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