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GOLPE BAIXO



Quanto mais o tempo vai se aproximando do dia da votação, mais ouriçados os candidatos vão ficando e infelizmente acompanhando esta ansiedade que até é natural, na falta de postura política, mas que, então, lhes dá o falso direito de transformá-los em algozes de seus concorrentes, o que para os mais atentos e, portanto, observadores, não passa de mais uma manobra política, a fim de confundir o eleitor, levando-o a afogar-se em um mar de injúrias e grosserias verbais que, mais que aturdir, leva do ouvinte a capacidade de formular perguntas simples a si mesmo para que então pudesse proceder a uma análise mais conclusiva sobre cada candidato envolvido no processo eleitoreiro.

Portanto, de todas as criatividades marqueteiras em prol de suas candidaturas, a mais danosa, certamente, é a da desqualificação do concorrente, onde as falácias dão lugar às evidências comprováveis de que no mínimo em outros momentos, ambos por interesses pessoais, calaram-se, omitindo denúncias que, em tempo hábil, provavelmente teriam sido corrigidas com a devida exposição dos culpados.

Esse a meu ver é sem dúvidas o golpe mais baixo que faz parte do script dos candidatos espertalhões que somente visam alcançar os seus objetivos, não respeitando absolutamente nada, nem mesmo suas competências pessoais de criar um programa administrativo ao invés de utilizarem palanques e incautos para propagarem suas ineficiências pessoais.

Cercam-se, por todo o tempo, de puxa sacos contumazes que por esta mesma razão não pensam, não raciocinam, direcionando suas interpretações sobre qualquer assunto relativo ao momento político à esquemas que somente eles são capazes de decifrar, transformando esses momentos onde o poder da expressabilidade de ideias acontece , em um circo pobre de argumentos e propostas.

E alguns, vão longe em seus devaneios oportunistas e eleitoreiros, chegando até mesmo a utilizar as sagradas tribunas públicas para expurgarem seus venenos interesseiros e descompromissados com o povo que os elegeram, fazendo escárnio do tempo que lhes restam, manchando assim com injúrias e falsos protestos, a confiança que lhes foi conferida através dos votos populares.

Observo que a cada momento político, mais se esvaziam os comícios e também avalio que não é pelo show musical que não mais pode acontecer, e sim, pela babaquice e falta de propósitos que transformam, a cada eleição, os comícios em representações pobres e sem brilho, onde um punhado de aspirantes a autoridades se arvoram de supostos poderes de salvadores da pátria e com suas espadas emprestadas pelo partido e candidato, proferem acusações sem conteúdo comprobatório, detonam a língua portuguesa em detrimento da lógica oferecendo ao ouvinte em alguns momentos, a pieguice do “nada tenho a falar que mereça ser ouvido”, restando então às pessoas de um modo geral, o direito supremo de não se permitir invadir-se com o feio, o banal e o inconsequente.

Que pena... penso eu neste instante, e em todos os demais instantes, onde o respeito às causas públicas se perde em favorecimento ao sarcasmo e aos verdadeiros pulhas que assolam o nosso país, posando de Deuses salvadores da humanidade que, afinal, nada mais são que hilários e perniciosos  personagens, largamente expressados através da reprodução genial de grandes escritores, ensaístas e pensadores.

Quem não se lembra de Roque Santeiro, Sinhozinho Malta e Sasá Mutema!

Perde-se com isto valorosa oportunidade de, verdadeiramente, fazer-se política pública de qualidade e de respeito ao coletivo.

Itaparica merece mais que esse espetáculo público que trás tristeza e desolação diante da falta de expectativas!

 

 

 

 

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