domingo, 31 de janeiro de 2010

FERAS SEM SAVANA

A cena era dantesca, o pátio atrás do mercado, transformado em tombadilho, sob os açoites dos impetos alcóolicos, abrigava a quase multidão não só de negros, como a noite que os cobria, como de muitos brancos que se destacavam em seus movimentos endoidecidos.
Que horror perante os ceus!!!
Aturdida, lembro da savana africana, onde os machos selvagens copulam com suas fêmeas expandindo seus instintos. Balanço a cabeça, buscando recuperar a realidade que por instantes me fugira e, novamente no aqui agora, me vejo tão somente na calçada do mercado, buscando um soprar de vento marinho para, quem sabe, recobrar a lucidez.
Olhei ao redor, buscando ajuda policial, que certamente havia, mas que eu não enxerguei pelo menos naqueles instantes e pensei então que tais eventos regados a tanto álcool deveria ter um esquema bem mais efetivo de vigilância organizadora, assim como muitos banheiros públicos, para que pintos e bundas não se espusessem tanto em meio à crianças e adultos que buscam na festa tão somente sadio entretenimento.
Questiono o porquê das pessoas estarem assim tão embrutecidas se frequentam escolas, assistem a filmes e Tv, usam a internete e estão muito próximas de uma capital. Por que agem como se fossem feras perdidas no asfalto de suas cidades ,ora copulando à céu aberto, ora brigando em forte marcação de espaço, ora por nada, pelo menos à vista das vistas de outro tipo de pessoa que, como eu, aturdida se sente, frente ao imponderável que se apresenta.
A tradicional lavagem do Beco de 30 de janeiro em Itaparica, mais me pareceu o soltar de amarras de muitas feras ensandecidas, tão logo o sol baixou e a noite se fez presente.
Que pena, não é mesmo?
Penso, então, nos efeitos da cachaça, que libera os homens nas suas mais grosseiras expressabilidades, transformando-os em feras sem savana.

2 comentários:

  1. Belo artigo Regina. Me associo ao seu sentimento e a sua percepção. A questão está exatamente na falta da escola e na absoluta ausência do poder público, é realmente uma pena.
    Beijos ... parabéns.
    CN

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  2. Regina,
    Parabéns pelo texto. realmente, faz-se necessário não só competência, preparo e capacitação, mas sobretudo TALENTO, e isso, você tem.
    Um abraço,

    RITA RAMOS

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