Pular para o conteúdo principal

OPRESSÃO CULTURAL


Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.

Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e explicito, oferecendo a mim um verdadeiro manancial de posicionamentos posturais, até então não visto e muito menos sentido. Existe um potencial totalmente inédito, mesmo tendo raízes indutoras absolutamente comuns a natureza humana. Não havia, em minha vivência, registro de precedentes camuflativos das posturas dos Itaparicanos e isto me atraiu de forma contundente, mesmo não tendo eu tido qualquer intenção consciente.

A cada dia, em situações diversas, sou surpreendida com um mais novo aprendizado e, apesar de em muitas ocasiões não estar devidamente preparada a tal nova bagagem, tenho conseguido suportar o volume de novos entendimentos, sem no entanto deixar de confessar que também de certa forma, fragilizada, preciso recorrer aos conhecimentos de sobrevida psicológica para não sucumbir diante do aparente imponderável postural.

Creio que finalmente posso começar a compreender a extensão da síndrome da passividade ou submissão em que as pessoas se comportam enquanto figuras em grupos sociais, formando conceitos silenciosos, mas absolutamente fiéis uns aos outros quanto a qualquer rebeldia individual, criando assim culturas de total alienação, o que provoca um reforço contínuo no aprisionamento social, nesta ou naquela camada da pirâmide, que define o grau evolutivo intelectual, político ou simplesmente social de cada criatura.

Itaparca, em se tratando de uma ilha, talvez até por sua questão geográfica e de tradição escravagista,apresenta-se retrogadamente alicerçada a princípios hierarquicos de profunda submissão, não tendo até o momento se desvencilhado dos grilhões da opressão branca e de seu mando ecônomico, o que tem mantido seu povo em um atrazo sustentável à miseria propriamente dita , assim como a miséria dos entendimentos morais e éticos.

Finalmente a ficha caiu, não sem me fazer sentir as dores naturais das surpresas desagradáveis ao que gostaríamos em constatar. No entanto, tudo bem… viver é, antes de tudo, aprender. E eu me esforço muitíssimo nesta aplicação diária em relação ao conhecimento desta espécie fantástica, que denominamos de humana.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…