Impossível para mim desrespeitar minha própria natureza. Quando o faço, ela cobra sem piedade. Na noite passada, tirou-me o bendito sono que, como um reloginho, sinalizou-me, como sempre, que era a hora de ir dormir.
Como não fui, perdi o direito de simplesmente apagar serenamente e, quando penso nas razões que me induziram a este erro imperdoável, sinto muita raiva de mim. Agora, às cinco e trinta da manhã, fazer o quê, além de adiar os compromissos?
Desde a segunda-feira, estou assistindo, depois do Jornal Nacional, às entrevistas com os candidatos à Presidência da República. Na noite de ontem, pasmei ao, mais uma vez, constatar o abuso dos jornalistas em insistirem em cortar o raciocínio do candidato Ronaldo Caiado em todas as ocasiões em que ele mencionava, em sua resposta, os índices abusivos e retrógrados da economia nacional e de outras áreas degradadas da nação.
O tempo de quarenta minutos foi devorado por perguntas longas e interrupções vergonhosamente tendenciosas, salvando-se tão somente a fleuma do candidato. Ele se manteve sereno, pelo menos na aparência, não mordendo as iscas que lhe foram oferecidas, num respeito enorme aos telespectadores. Manteve-se firme na conclusão de suas propostas iniciais enquanto, insistentemente, era cortado através de perguntas alheias às suas respostas, enquanto estas ainda estavam sendo dadas.
Bem, estou analisando dentro de um contexto de tão somente uma cidadã, sem quase nenhum real conhecimento a respeito de economia e do cerne das distorções que hoje o Brasil apresenta em todas as áreas. Todavia, foram tão descarados e desrespeitosos a veemência, principalmente da entrevistadora Renata, que deveria estar ouvindo através do ponto em seu ouvido as determinações da direção, que, assim como eu, grande parte daqueles que estavam assistindo e que detêm alguma experiência em entrevistas desta natureza, não puderam deixar escapar de seus entendimentos a cara de pau da Globo em promover e, ao mesmo tempo, tentar direcionar as respostas dos candidatos, numa insistência absurda em fazê-los parecer, no mínimo, incapazes.
Minha indignação foi crescente e aí, como dormir depois desta demonstração ridícula de embate, quando deveria ser de amostragem das propostas dos candidatos? Nas perguntas iniciais já deveriam estar contidas as prováveis dúvidas em relação às propostas e, quando muito, após a resposta do candidato, haver um complemento da mesma em forma de questionamento.
Foram 40 minutos que mais pareceram um duelo, quando o propósito deveria ser o de dar a oportunidade ao telespectador de ouvir e tirar suas próprias conclusões. Feio, antiético e bem longe do que é um jornalismo isento de partidarismos.
Regina Carvalho, 26 de agosto de 2026 – Pedras Grandes, SC.
Ilustração- IA
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