quinta-feira, 6 de agosto de 2026

LIBERDADE?

Estou aqui pensando que se eu realmente escrevesse tudo o que penso a respeito do que sou capaz de enxergar e sentir à minha volta, principalmente tudo quanto vivenciei na pele, na alma e no bolso, creio que já estaria morta há muito. Portanto, resta-me rir de mim mesma e dos textos em que falo de liberdade, sabedora de que esta seja a maior utopia de todos os tempos e quem acreditou cem por cento nela se estropiou. 

A história humana está aí viva, mostrando com detalhes o fim de cada um, cuja glória residiu no pós-morte. Terão sido esses os legítimos heróis que admiramos ou, tão somente, exemplos emblemáticos do que não se deve fazer? 


Os heróis, a meu ver, são os mensageiros de feitos magnânimos que os fizeram sucumbir. 

Como dizem os baianos: "Que porra é essa?". 

Talvez você que me lê conheça, mas confesso que, mesmo com uma longa vida, jamais conheci um herói que tenha tido exaltação e glórias ou, mesmo, qualquer tipo de benevolência em vida. Portanto, suas glórias pós-morte mostram-nos, de forma subentendida, o valor da hipocrisia e da passividade como caminhos seguros para qualquer mais longa e saudável sobrevivência.

Falar, escrever e cantar o que se pensa? Diferentemente de um gado extraviado que é buscado e inserido na manada, qualquer pessoa que fuja às regras ou é deixada ao seu próprio destino ou é caçada e alvejada para se transformar em banquete de aprendizado. 

Portanto, essa cantilena sobre liberdade que de uns tempos para cá virou moda e bandeira deste ou daquele movimento é tão absurdamente monótona que não deixa sequer quem a empunha perceber que nada mais está fazendo do que seguir o controle de outros, que, de alguma forma, tiram vantagens para si ou para um grupo específico.

Penso que o pilar de toda e qualquer liberdade é justamente a autonomia, que não se resume em poder bancar seus atos e pensamentos, mas, acima de tudo, ter o poder de decidir o próprio caminho na vida, isentando-se de coerção, num vivenciar sem medos, venham de onde vierem, respondendo por seus atos e arcando sem lamúrias pelas consequências de cada um deles. 

Ser livre é, principalmente, garantir aos demais este mesmo direito, não impingindo a eles a culpa e a responsabilidade por suas escolhas. Afinal, a liberdade pessoal acaba exatamente quando começa a do outro. Limites e respeito são vias de mãos duplas. Nisso se incluem a família, a escola e a vida profissional.Comecei escrevendo sobre heróis e acabei falando de liberdade, que na realidade se fundem, já que ambos tombam pelos propósitos individuais, assim como ambos deixam como legados as consequências da falta de limites entre o lúdico e o real de um sistema humano onde existem os criadores de regras e aqueles que, por prudência, as obedecem. 

Lembro-me então do provérbio popular: "Manda quem pode, obedece quem tem juízo".

 Simples assim...

Regina Carvalho – 06/08/2026 – Pedras Grandes, SC.

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