terça-feira, 4 de agosto de 2026

TURMA DO GARGAREJO Eleitoral

Quase nove horas desta manhã de terça-feira e eu ainda não escrevi nada. Isso não é pouco para quem acordou às cinco horas. Rolo incessantemente o feed de notícias e, pelo amor de Deus, nada me inspira. Até que me vejo diante de mais uma postagem que fala a respeito do ex-prefeito de Itaparica, Claudio da Silva Neves, fato que ocorreu em 2004. Ou seja, 22 anos passados. É incrível: existe uma esfera de pessoas em que, enquanto uma grande parte o admira e respeita, uma outra pequena, corrosiva e resistente fração simplesmente não esquece de atacá-lo a cada pleito eleitoral. Penso então: isso é que é carisma e força!


Vejo pelos seguintes ângulos: se foi um bom prefeito, se sempre foi um homem honrado, ou se foi um mau prefeito. Em todas as perspectivas, só encontro pessoas que o admiram por saberem-se incapazes, restando-lhes apenas odiá-lo, apesar de quererem ser como ele; ou pessoas justas que o admiram por ser uma ave rara num covil de abutres. 

Sabedores de que não poderão ter o seu poder de comunicação e carisma, os adversários decentes tentam copiá-lo por reconhecê-lo como uma extraordinária pessoa. Alguém que conseguiu manter-se imune a todo e qualquer atrativo que não fosse condizente com o respeito que o povo da cidade sempre mereceu.

A população ainda reconhece que, em seu mandato, não havia o assombro dominante da corrupção e dos desmandos sem limites e muito menos de uma arrecadação incompatível com as demandas existentes. Também reconhecem que ele jamais foi um santo a ser idolatrado, e muito menos um chacal que paga pelas futuras chicotadas com um punhado de moedas, aquelas que Judas recebeu para trair Jesus. Defeitos, falhas e dúvidas, quem não os tem que atire a primeira pedra.

Sua fidelidade à família Magalhães é admirável, justo por ser hoje em dia algo raro, tal qual o nióbio, que infelizmente é negociado a preço de banana por quem deseja recebê-lo de algum político mequetrefe ou de aliados duvidosos. Sua postura de homem e de político irrita a meia dúzia de retardatários da decência e dos bons costumes a ponto de temê-lo ardorosamente. Afinal, o nióbio é valioso em terras nacionais, portanto não é para menos que o temem, já que, em cada eleição, ele arrebanha para seu grupo significativo número de votos. Faz isso apenas com seu velho e quase ridículo chapéu de palha e um grupo seleto e fiel de correligionários, adoecendo de raiva e inveja seus adversários. E o principal: sem roubar um centavo sequer do erário público.

É... Competência, talento e carisma não estão à venda nas concessionárias, lojas de grife e muito menos nos porões da corrupção, que há muito virou sala de estar e jantar da política brasileira, ponto de encontro da sordidez nacional.

 Resta aos invejosos aderirem à turma do gargarejo. O gargarejo nada mais é que um método caseiro e simples usado para aliviar a dor, a irritação e o inchaço na região da garganta. No caso da política, serve para aliviar o ego, já que ajuda a diminuir o mal-estar causado por figuras icônicas e eternizadas no histórico da cidade.

Como bem diz Mateus sobre a parábola da árvore e seus frutos em 7:17-20, e Lucas em 6:43-45: toda árvore boa produz bons frutos. A qualidade de uma pessoa é revelada por suas ações e palavras. Afinal, como diz o sábio provérbio popular, ninguém joga pedra em árvore que não dá fruto.

Regina Carvalho, 4.8.2026 – Pedras Grandes, SC.

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