Depois de dias que pareciam ter engolido o sol, eis que surge uma manhã clara trazendo pequenos fachos do bendito no horizonte, iluminando, ainda que timidamente, as copas das árvores e os cumes das colinas que posso enxergar.
Existe no ar uma brisa ainda fresca, capaz de provocar pequenos arrepios, o que me abastece de prazer. Aliás, perdi a conta de quantos textos escrevi sobre esta minha erótica emoção que a natureza gostosamente jamais deixou de me oferecer. Talvez por isso eu esteja sempre disposta a cada amanhecer, abrindo portas e janelas na sempre espera gratificante das aragens sensitivas da vida.
"Cuidado, mamãe, a friagem pode lhe fazer mal!"
Ouço direto esta recomendação, até porque o clima por aqui no Sul não é para principiantes. Ainda não me curei totalmente de uma gripe galopante que adora se alojar em crianças e idosos. No entanto, em manhãs como a de hoje, se eu tiver que morrer, que eu então morra em pleno gozo de vida.
Abro janelas para a alma respirar...
Regina Carvalho (17.08.2026 – Pedras Grandes, SC
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