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PROMESSA CUMPRIDA


 
Desde a madrugada, estou às voltas com a internet, buscando uma explicação junto aos grandes pensadores da humanidade como Freud, Jung, Aristóteles e tantos mais, na ânsia de poder encontrar entendimento racional para o fato inusitado de eu ter tido um sonho que me pareceu absolutamente real.

Nele, eu fazia um misto de declaração de amor e, ao mesmo tempo, buscava aninhar-me nos braços de uma pessoa querida que fez parte de um longo período da minha vida, e com a qual eu mantinha estreito e afetuoso relacionamento.

Até aí, tudo normal, pois nossa vivência, certamente ficou registrada em minhas lembranças que, naturalmente, poderiam a qualquer momento aflorarem. Entretanto, o que me fez questionar, foi o fato de eu nunca ter sonhado com esta pessoa, apesar de muito nela falar e quando o faço é sempre de forma viva, não permanecendo em minhas palavras a conotação de dor, referente à perda de sua convivência, pelo fato dela já haver morrido há mais de 20 anos.

Fecho então meus olhos e reproduzo o sonho por várias vezes e, é claro, emociono-me, afinal, posso senti-la através de minhas mãos ao acariciar seu rosto, posso enxergar seus olhinhos pequenos e castanhos, fitando-me com o mesmo carinho com que em tantas ocasiões estreitei minhas dúvidas e minha necessidade de proteção emocional, pude sorver o perfume de seu cheiro pessoal e sua discreta respiração, pela proximidade em que nos encontrávamos uma da outra neste sonho que me foi real.

Encontrei nesta minha busca, palavras difíceis que precisei buscar entendimento no dicionário, teorias psicológicas que se contradizem, alegorias religiosas com as quais, confesso ter inclinações naturais, mas nenhuma explicação me foi convincente ao ponto de quebrar o encanto que ainda neste instante sinto e cujas explicações, agora, reconheço serem desnecessárias, pois este sonho para mim foi real, como um resgate de algo maravilhoso com o qual tive o privilégio de conviver, tipo brinde da vida, que me é inesquecível e como assim, verdadeiramente o é, por que não revivê-lo através dos sonhos, lembranças amorosas que não morrem jamais?

Abro os olhos e permaneço vendo-a com a mesma nitidez de outrora. Posso percorrer o seu narizinho fino e bem delineado que minha filha herdou, posso vê-la deixar os seus olhos umedecerem de emoção por também estarem me vendo, e neste colóquio mais que verdadeiro, pois permanece além do sono já há muito estou desperta. Nada pode mais me importar, que a alegria suprema de rever a minha Zizita, tal qual, deixou a todos nós há tempos atrás. Esboçava um fraco sorriso e  mesmo sentindo dores cruciais, ainda encontrou forças para prometer voltar.

Caminhava com passos miúdos e inseguros para um hospital donde jamais voltou, deixando em mim um enorme vazio, que somente agora, com o cumprimento de sua promessa, pude então, me consolar.

Disse ela na ocasião:

- Não se preocupe Regina, porque eu vou voltar.

Enxugo neste instante uma lágrima, não de tristeza, apenas de saudade de um ser humano bonito com o qual, a vida me presenteou.

Dona Zizita, foi a minha sogra, minha amiga, minha irmã. Portanto, sonhar com ela é apenas parte de um todo vivido, gratificante de se recordar.

Talvez, melhor explicação seja o fato de estarmos em Dezembro e como não poderia faltar, lá veio ela, festeira como ela só, lembrando à nora cética e às vezes preguiçosa, que este é um mês de festas, alegrias e comilança, e que ela, é claro, não poderia faltar.

Especular mais para que?

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