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CLAREOU


 
Clareou lá fora e cá de dentro a tudo acompanho fascinada, encontrando a cada dia novos encantos  na observação amorosa dos amanheceres de minha vida.

Maravilha poder celebrar este instante bendito em que como que magnetizada, desvio os olhos para encontrar este novo dia que chega abusadamente iluminado, fazendo de mim, que nada mais sou que uma minúscula partícula universal, a criatura mais gratificada pela constatação de que estou viva, podendo contemplar o esplêndido, o magnífico, o irretocável.

Penso então, enquanto observo este espetáculo da vida, no quanto já fui inerte, ignorante e pouco grata a todas as benécias que me eram oferecidas pelo universo, pelo simples fato de me encontrar viva, perdendo assim em um turbilhão de emoções inúteis, os fragmentos regeneradores que a própria vida ao ser reconhecida, oferece.

 Ao despertar deste longo sono que mutila, tirando o foco de tudo que realmente interessa, fui enxergando aos poucos entre nuvens do ainda apagão, figuras belas que tomavam forma e que aos poucos foram fazendo em meu consciente absoluto sentido e que além de tudo, como fadas encantadas de um conto imaginário, descortinaram aos meus sentidos um tudo de bom, apaixonante e regenerador, impossível de ser esquecido.

Foi o existencialismo que explodiu abrindo passagem para um naturalismo sem retoques e sem firulas, onde o existir, já  não se permite ser contaminado por este sistema macabro, cruel onde tudo que atrai e brilha, custa muito caro e o desejar ser qualquer coisa que faça sentido, já não é permitido, ficando fora, absolutamente fora de qualquer questão.

Olho lá fora, que lindo, quão perfeito amanhecer!

 Que brilho intenso deste sol que abusado e que rompe espaço, deitando-se galhardamente sobre a vida, aquecendo-a e ao mesmo tempo aquecendo-me de inspirações, não permitindo em nenhum instante que o esquecimento me domine, porque, afinal, também sou um todo de vida pulsante e repleta de calor ardente, atuando ativa neste todo universal.

Quão importante e indispensável sinto que sou, neste cenário pincelado pelo meu Deus que, generoso e paciente, me estende a cada instante a palheta e os pincéis para que eu  mesma, de acordo com o meu gosto, adicione as com cores que preferir, dando vida a minha própria vida.

Bom dia, a você que me lê neste instante. Desejo que o sol também rompa as suas resistências, abrindo espaço para o belo e o sublime, através das cores de si mesmo e dos pincéis mágicos de seu bendito Deus.

 

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