E não é que novembro chegou, contrariando a meteorologia nacional. Segundo ela, o tempo seria de chuvas leves, mas constantes, e, no entanto, apesar do sol ainda não ter se pronunciado, as chuvas até o momento não apareceram neste início da manhã de “Todos-os- Santos” deste domingo, 01 de novembro de 2009.
Lembro, então , que em todos os anos é a mesma coisa, o dia amanhece nublado, quente e somente mais tarde uma chuvinha matreira marcará presença, em nada atrapalhando o feriado, nas praias e nas piscinas.
Foi assim há quarenta e três anos atrás.
Ah!… como me lembro daquele dia que se tornou inesquecível, pois foi naquele feriado de 01/11/l966 que eu conheci o amor de minha vida e, com êle, vivenciei os últimos quinze mil , seiscentos e noventa e cinco dias e trezentas e setenta e seis mil horas, seiscentos e oitenta minutos.
E aí, como filósofa e também cronista que sempre fui, registrei tudo que me foi possível, como uma fiel profissional, sim porque existem profissões com as quais se nasce com elas e, durante a vida, apenas vão sendo aperfeiçoadas.
Aos dezesseis anos, eu já as tinha em minha alma e, é claro, um pouco poeta também, porque afinal a poesia é a companheira mais constante dos idealistas, sonhadores e apaixonados pela vida.
Lembro de cada detalhe, seja das roupas que ambos usávamos, seja da emoção que senti, seja da certeza que de imediato me dominou e que me fez chegar em casa eufórica, no final da tarde, afirmando para minha mãe que eu havia conhecido o meu futuro marido, o que arrancou dela uma daquelas sonoras e gostosas gargalhadas, que somente ela sabia oferecer em momentos de imensa alegria ou, como naquele instante, de pura graça, frente ao abuso de minha taxativa premonição de adolescente sonhadora.
E não foi que se confirmou…
Exatamente um ano e seis meses depois, ambos adentrávamos à Igreja Cristo Redentor, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, para firmar um bendito casamento, que se estruturou em três ítens fundamentais: respeito, amor e fiel amizade.
O respeito garante o equilíbrio, o amor é a sequência natural da paixão e do tesão inicial e a amizade reforça por todo o tempo a fiel parceria de todos os instantes.
E aí, não há problemas e tão pouco perdas que sejam capazes de separar tão forte companheirismo, pois estou aqui, quatro décadas depois, juntando letrinhas na tentativa amorosa de preservar a mémória viva de um momento incrível da minha vida.
Olho através da janela e vejo um solzinho tímido querendo o seu espaço, se fazendo presente, mansamente afastando as núvens que, a priori, se esforçam em permanecer nublando este domingo, que para mim representa o marco do início do tudo de bom que recebi em minha vida.
Que o dia de hoje de TODOS-OS-SANTOS, mantenha junto a mim em todas as vidas que me pertencer, o meu SEBASTIÃO, que santo jamais foi, mas que será sempre o sol brilhante de minha existência.
Que posso querer mais?
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