Pular para o conteúdo principal
EU QUERIA TANTO
Poder em meus momentos de aflição, tristeza ou solidão, ter um Deus Divino no qual eu pudesse me refugiar, buscando explicações para os meus desencantos de pessoa humana.
Eu queria tanto acreditar, mas eu não consigo, minha mente alucinada por este universo imenso e misterioso, direciona meus entendimentos a outra dimensão, transformando a minha vida, no poder maior de minhas soluções.
Eu queria tanto, justo para não me sentir deslocada, fora do lugar comum, como uma solitária árvore em meio a uma planície, dependendo, tão somente, de minhas decisões, amparando-me unicamente nas minhas forças, como se raízes profundas e resistentes eu tivesse para sustentar-me de pé.
Eu queria tanto crer mais do que vejo e sinto, queria o lúdico, o plainar de minha liberdade deixando as causas e os efeitos sob a responsabilidade de outrem e não apenas de mim.
Eu queria tanto uma pequena parcela desta muleta Divina, mas não consigo, restando-me apenas a dureza de minha própria realidade de ser um ser descrente do mais além, do intangível, do não visível.
Eu queria tanto, na tristeza ou na alegria comunicar-me contigo, gritar o teu nome, ajoelhar-me a teus pés, tirando de mim o peso constante dos louros ou das culpas, mas não te encontro em minhas buscas, só me deparo com a vida em toda a sua pujança.
Eu queria tanto ao menos te dizer obrigada por me sentir tão plena, como uma ínfima partícula deste teu universo.
Mas infelizmente, não consigo e, nesta caminhada sem poder em ti me apoiar, delicio-me com as flores e com os frutos, com as cores e com os aromas e sabores, mergulhando nos mistérios da criação perfeita de todas as vidas, como se em cada uma, eu te encontrasse.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

AS MULETAS DO SÉCULO

A crueldade sempre esteve presente nos relacionamentos humanos, numa necessidade quase visceral de se estar torturando o outro, mesmo em pequenas escalas não tão explicitamente apresentadas, mas em doses homeopáticas, como é possível de se observar em qualquer instância do relacionamento humano. Precisamos evoluir...
Precisamos urgentemente dar uma parada existencial e refletir sobre tudo que vivemos, pensamos e sentimos e, principalmente, fazer um reflexão em tudo que achamos que deixamos de viver, pensar e sentir, não como um balanço de perdas e ganhos, mas como um gesto de carinho conosco, numa busca amiga de novos recursos que possam aliviar as dores do mundo que arrebanhamos e que nos flagelam, adoecendo e descaracterizando o que de melhor certamente ainda nos resta, que é a nossa genuinidade.
Afirmamos que não há tempo a se perder, e aí, por infinitos caminhos, o acaso de nossa insanidade nos faz parar, geralmente, tarde demais para qualquer retoque que se pensou em dar numa vida …