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DESCANSANDO E RECORDANDO

Estava dando uma esticadela no sofá, ouvindo música, e minha mente voou lá no passado. E como num desfile ininterrupto de lembranças, criaturas muito queridas voltaram tal qual eu as deixara há quarenta anos.

 Esqueci-me que o tempo passou e as congelei na memória, portanto, permaneceram jovens, dinâmicos e adoráveis impetuosos que me ensinaram a enfrentar a lida diária de um jornal de grande porte em uma época onde o profissionalismo era mesclado com um delicioso e viciante companheirismo estimulado a muita confiança e respeito, que fazia qualquer birrento ou sistemático esquecer-se das horas e mergulhar de cabeça no prazer continuado de ver a velha rotativa cuspindo cada edição, dia após dia, fosse a hora que fosse.

Que maravilha, MEU DEUS! Com certeza, foi uma época que me fez muito feliz.

E aí, no domingo passado, recebi a triste notícia de que um desses doces amigos havia morrido e, então, me dei conta de que ele já devia estar velhinho, afinal, naquela época ele podia ser meu pai.

Enquanto absorvia a notícia, que visivelmente me abalava, todos os demais, como agora a pouco, surgiram em minha mente, e aí, pela lei natural da vida, também deduzo terem partido.

Penso, portanto, no quanto nos quisemos bem, mas, principalmente, no quanto eles foram fundamentais naquele iniciar de vida profissional, no quanto me ensinaram, me exigiram, me poliram e me educaram, fazendo de mim a partir daquela época bendita do Diário de Brasília, uma pessoa séria, responsável, leal e, sobretudo, com firmeza suficiente para só abraçar o que realmente eu pudesse, além dos meus conhecimentos, colocar o meu coração.

Ensinaram-me quase tudo, menos a ganhar dinheiro, pois a maioria já tinha e os outros que não tinham, eram também sonhadores, visionários, “porras loucas”, que souberam sobreviver e colorir as suas e as vidas daqueles que conviveram com eles.

Penso, então, que sempre tive tudo que precisei, principalmente muito brilho em minha vida. Afinal, dinheiro pra quê?

Aos meus amigos inspiradores e mestres sempre presentes em minhas posturas e lembranças, o meu eterno reconhecimento.

Coincidência ou não, começou neste instante a Hora do Ângelus com um poderoso tenor interpretando a “Ave Maria”, outra paixão que levei para a Igreja por ocasião de meu casamento, que, aliás, foi com um desses grandes amigos, que graças a Deus, ainda está bem juntinho  a mim, sonhando e abraçando novas empreitadas como se ainda jovens fossemos.

Quando se tem alegria de viver, nada mais importa que darem-se as mãos e ir ao encontro de novos prazeres, que desta vez tem o nome de Rádio Tupinambá que, bem afinada com o Jornal Variedades, já está dando o que falar.

Isto é muito bom, isto é bom demais ...

Penso então que eterno é todo aquele que se torna inesquecível nas lembranças de um alguém.

 Para você que lê os meus escritos, uma noite de paz e um amanhecer de luz.


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