Pular para o conteúdo principal

Esquerda distorcida...


Ao ler um texto postado no Recanto das letras e assinado pelo professor Wilson Correia (UFRB – Campus de Amargosa - Bahia), surpreendeu-me a posição intransigente e limitada com o qual o prezado professor enfoca o quadro Escolinha do Prof. Raimundo, em que o humorista Chico Anísio, durante anos a fio, apresentou com enorme sucesso e popularidade através da Rede Globo de televisão.

É triste ver a miopia da pretensa análise “acadêmica” do tão qualificado professor diante da mais antiga e representativa arte e cultura da humanidade: o humor.

Lamentável, professor, é constatar a baixa qualidade do ensino no Brasil.

Lamentável, é constatar que não mais existe humor como o Chico Anysio Show, a Praça É Nossa, a Escolinha do Professor Raimundo, onde mestres do humor provocavam o riso de forma ingênua e inteligente, sem recorrer a grosserias sexuais e agressões que banalizam o nível dos quadros humorísticos apresentados hoje em dia.

Sua visão, professor, apesar de letrada e aparentemente profunda e verdadeira, se perde no uso de premissas falsas, o que é indesculpável em um dito Filósofo.

Não misture entretenimento do mais elevado conteúdo humorístico com problemas reais de falta de qualidade da educação brasileira e com a falta de reconhecimento da importância da classe docente, muito menos com a baixa autoestima reinante no seio da classe, existentes muito antes da Rede Globo de Televisão.

Não deixe suas crenças esquerdistas anacrônicas turvarem o seu pensamento.

Aproveite sua posição privilegiada no contexto social brasileiro para dar a sua contribuição com lucidez e conhecimento, respeitando a arte e os artistas que fazem a sua parte.

Espero que a UFRB tenha ventos de liberdade para o debate construtivo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

AS MULETAS DO SÉCULO

A crueldade sempre esteve presente nos relacionamentos humanos, numa necessidade quase visceral de se estar torturando o outro, mesmo em pequenas escalas não tão explicitamente apresentadas, mas em doses homeopáticas, como é possível de se observar em qualquer instância do relacionamento humano. Precisamos evoluir...
Precisamos urgentemente dar uma parada existencial e refletir sobre tudo que vivemos, pensamos e sentimos e, principalmente, fazer um reflexão em tudo que achamos que deixamos de viver, pensar e sentir, não como um balanço de perdas e ganhos, mas como um gesto de carinho conosco, numa busca amiga de novos recursos que possam aliviar as dores do mundo que arrebanhamos e que nos flagelam, adoecendo e descaracterizando o que de melhor certamente ainda nos resta, que é a nossa genuinidade.
Afirmamos que não há tempo a se perder, e aí, por infinitos caminhos, o acaso de nossa insanidade nos faz parar, geralmente, tarde demais para qualquer retoque que se pensou em dar numa vida …