Três perguntas que venho me fazendo ao longo de décadas em que estive próxima dos poderes políticos e até mesmo enquanto cidadã atenta e observadora. Todavia, preciso reconhecer que, se não cheguei a uma resposta definitiva, com certeza pude concluir que hoje em dia a loucura se estabeleceu, levando pessoinhas absolutamente comuns a se sentirem os donos do mundo, tendo direitos a tudo, como os faraós do Egito, Hitler e coisa que o valha. Será algum vírus instalado nos gabinetes que transforma pequenos mequetrefes humanos, sem grandes estudos e talentos, em galinhos espevitados, capazes de se olharem nos espelhos e se acharem os tais, numa cópia esfarrapada dos contos de Branca de Neve ou do Tarzan, tendo como apoiadores safadinhos interesseiros que confirmam, com suas submissões, a distorcida visão dos desvairados? Sei lá...
Tudo que sei é que esta espécie de gente que alcança o poder e por lá se mantém só existe devido a um povo que nele se enxerga ou o teme, numa loucura coletiva que, vez por outra, finge que se transforma, quando na realidade apenas se transfigura de lobos em carcarás, de cobras em bestas, enquanto o povo se mantém fiel à sua própria fantasia de bobo das sucessivas cortes mambembes que se locupletam com os erários públicos, enquanto suas vidinhas medíocres são coloridas com a desfaçatez humana.
A loucura moderna transformou mequetrefes comuns em faraós de gabinete.
Não acredito em mais nada e isso me é desesperador. Então, ouço uma boa música e escrevo poemas, formas que encontrei para não desistir de acreditar que ainda somos humanos.
Pelas pesquisas históricas, nasce um novo questionamento: Será que algum dia fomos?
Regina Carvalho, 27.7.2026, Pedras Grandes, SC.
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