Acordei pensando nos neurônios e, como de hábito, busquei algumas informações. Mais uma vez, senti-me ainda mais fascinada pela capacidade humana em buscar conhecimentos relativos a si mesmo, seja neste ou em qualquer outro aspecto de seu comportamento.
A rigor, o estudo direto dos neurônios pertence à neurociência e à biologia, tendo sido iniciado no final do século XIX por cientistas como Santiago Ramón y Cajal. Contudo, no campo da Filosofia da Mente e da Neurofilosofia, diversos pensadores dedicaram suas obras a investigar como essa estrutura celular dá origem à consciência.
Todo esse meu interesse tem aumentado consideravelmente nos últimos anos devido à minha observação mais aguçada em relação aos comportamentos humanos. Isso leva-me a deduzir, dentro da minha imensa ignorância a respeito, que os neurônios precisam de estímulos contínuos de pelo menos razoável qualidade.
Isso nitidamente não vem ocorrendo. Então, novos padrões se apresentam altamente limitados em termos de raciocínio e, o que a meu ver é ainda pior, pela cada vez mais ausente afetividade.
Diante dos doutores e profundos estudiosos, sou apenas uma curiosa que observa e conclui dentro da limitada área de uma observadora social. Todavia, não poderão negar que a humanidade está mais empobrecida no campo da lógica, do aprendizado e, pior, do livre-arbítrio, já que pensa e se comporta de forma repetitiva, absorvendo e transmitindo seja lá o que for sem qualquer originalidade pessoal.
A impressão que tenho é que vivemos uma epidemia que contamina sem distinção, eliminando a visão pessoal e de mundo. Esse processo transforma as pessoas em vampiros existenciais que apenas se movem em função de uma sobrevivência, sem que haja a adição de uma real consciência. Isso ocorre ainda mais porque se deixa de estimular a abertura da mente para novos conhecimentos, limitando-a a uma rotina só quebrada de quando em quando com a inserção alucinógena de músicas e danças. Ainda assim, as pessoas precisam ser estimuladas com qualquer tipo de drogas, pois há muito tempo o simples sorrir por si só diante de um prazer, mesmo antes deste acontecer, tornou-se quase impossível.
Perdeu-se a capacidade de imaginar e deliciar-se?
Perdeu-se o senso do equilíbrio e da razão?
Regina Carvalho- 20.7.2026 Pedras Grandes SC
Ilustração- IA
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