Acordei nesta quarta-feira chuvosa e friorenta pensando no ser humano e no quanto, em regra geral, jamais lhe é oferecido como norma formal de educação, seja doméstica ou acadêmica, determinados padrões universais de comportamento emocional, que são determinantes para o desenvolvimento dos relacionamentos consigo e com tudo mais.
Nos livros que já escrevi, tentei de forma intuitiva, já que não sou doutora formal no assunto, abordar a importância de se levar a criança, desde a mais tenra idade, à compreensão de sua realidade enquanto ser humano devidamente capacitado para cuidar de si. Ela deve enxergar-se e sentir-se parte integrante de um todo, já que, por uma questão de lógica, jamais poderá compreender sua relevância ou a de qualquer outra pessoa, seja lá no que for, se primeiro não se situar no contexto existencial como um elemento de fundamental importância, destacando-se a condição extraordinária de sua capacidade cognitiva ilimitada, sendo responsável por transformar estímulos sensoriais em comportamentos e interações com o ambiente.
Insisto e confesso apaixonadamente que o processo de formação intelectual e psicológica de uma criança é determinante para a sua atuação ao longo da vida e para a forma como se conectará com outras pessoas, sejam familiares, amigos ou colegas de trabalho. Baseado no respeito e na comunicação, esse processo mostra-se essencial para o bem-estar e a produtividade. Desenvolver essa habilidade exige empatia, inteligência emocional e autoconhecimento.
Penso que somente quando a criança se desenvolve sentindo-se um tesouro de inigualável valor em meio à vida, reconhecerá o mesmo valor em tudo o mais, pois compreenderá que suas necessidades, assim como suas potencialidades, não são apenas suas, mas de um todo que, mesmo em silêncio e à distância, é vida como a dela.
Compreendo que é difícil reformular em um só tempo qualquer conceito arraigado, mas, de gota em gota nos lares e nas salas de aula, os milagres das novas visões de mundo irão surgir a partir do reconhecimento do eu individual, criando mentalidades que mais facilmente absorverão a bendita compaixão por si e pelo todo.
Compaixão não pode ser apenas um ato de caridade, induzido pela pena e pela empatia por quem sofre, mas, acima de tudo, deve ser um comportamento mental de harmonia e respeito ao outro, seja humano ou não, reconhecendo a existência dele também num contexto interativo e universal. Esse é um tema sem limites que se estende através dos valores com os quais nos utilizamos como regras básicas de convivência e que já provaram a sua ineficiência. Afinal, um ser humano que desenvolve a compaixão por si, não fere, não mata, evitando por todo o tempo os confrontos absolutamente desnecessários, pois utiliza-se de seu intelecto na busca de alternativas conciliadoras, já que reconhece a existência da fragilidade em si e no outro.
E aí, como também apaixonada pelo Filósofo e Mestre Jesus, relembro sua única recomendação: Amai a Deus, a consciência presente em tudo na vida, e ao teu próximo, seja humano ou não, como a ti mesmo. Já que a dor e o gozo estão presentes em tudo e em todos.
Regina Carvalho- 26.7.2026 Pedras Grandes SC
Ilustração: IA
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