O mundo inteligível ou das ideias descrito por Platão fez todo o sentido para mim na medida em que o trouxe para minha vida sensível, adaptando ou, melhor dizendo, burilando meus sentidos a um patamar de pura harmonia, deixando o mundo passar por mim e de onde os conceitos universais e, a meu ver, perfeitos fossem capazes de ter acesso ao meu intelecto.
Portanto, apenas as coisas e valores como beleza, bem e justiça pautam meus dias. Isso não quer dizer que eu não identifique e respeite o contraditório, todavia, ciente de que nada poderei modificar que não esteja diretamente ligado a mim, deixo passar batido, já que coloquei como meta a paz, e esta só acontece a partir de mim.
Não estou falando de bala perdida, já que esta pode vir de qualquer direção, independente de minha vontade. No entanto, aprendi a avaliar os riscos e, na dúvida, evito esta ou aquela exposição, abrindo mão desta ou daquela situação, pensando unicamente no quanto preciso me preservar.
Isso não significa deixar de vivenciar ou, no caso interpessoal, deixar de defender a minha visão sobre este ou aquele assunto, e sim exercer a minha liberdade de escolha, onde o meu bem-estar é sempre a meta primeira. Qualquer maior razão que eu tenha em relação a qualquer assunto só tem validade se for convencimento meu, pessoal, e que se traduza através do meu comportamento em tudo por tudo.
Vivemos num mundo de narrativas, na maioria das vezes sem sequer dimensioná-las ao ideal que lateja em nós e, como náufragos existenciais, nos agarramos à que nos parece mais lógica e, como loucos, montamos em nossos egos e saímos defendendo valores que desconhecemos no seu cerne real, matando, morrendo e ferindo em sua defesa, sem perceber que, antes de tudo, violamos os princípios básicos de nossa natureza em sua completude racional.
O mundo ideal é uma conquista pessoal que, se bem assimilada, nos leva a fluir serpenteando suavemente as pedras do caminho, tal qual um cardume de peixes descendo um rio caudaloso.
É preciso que saibamos silenciar o barulho das narrativas externas para ouvir apenas a harmonia que lateja dentro de
Regina Carvalho – 19/07/2026 – Pedras Grandes, SC.
Ilustração-IA
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