terça-feira, 21 de julho de 2026

A ORIGEM, O MEIO E O FIM

Alguns homens, através dos tempos, dedicaram-se a entender a origem de si mesmos e do mundo. Enveredaram por caminhos diversos sem que concluíssem apresentando um fato concreto, determinante e definitivo. Restou sempre um espaço para que outro desse seguimento. 

Fato é que, desde a Grécia Antiga de Aristóteles e Platão, a busca pela origem do mundo sempre esteve ligada à teleologia, o estudo da finalidade ou propósito das coisas. Ao longo da história, essa investigação passou da busca por elementos materiais na natureza até chegar a explicações baseadas em causas finais, divinas ou mecânicas.


Particularmente, adoro essas mentes curiosas, meio loucas, que enveredam em teorias que brotam de suas mentes sem se curvarem aos preconceitos que geralmente as cercam. Antes de tudo, são mentes libertas que não se prendem ao continuísmo da mera sobrevivência. 

Penso, então, que de todos os estudos sobre a criação, a explicação mais cômoda e politicamente correta seja aquela em que a criação é atribuída a um Divino. Neste aspecto, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino adaptaram o pensamento teleológico greco-romano à fé cristã, afirmando que a origem do mundo é um ato de criação deliberado de Deus. Portanto, a finalidade última do cosmos e de todas as criaturas é refletir a glória divina e cumprir os desígnios do Criador.

E assim, as perguntas "de onde vim, para onde vou e o que estou fazendo aqui" abrem uma cratera de possibilidades. É notória a capacidade humana em adaptar seus interesses e necessidades a um Deus supremo que não necessariamente é igual ou se parece com o dos demais. 

Escrevo bobagem? Provavelmente. Mas, afinal, mentira não é. A cada quarteirão de qualquer cidade neste mundaréu terreno, existem, na melhor das hipóteses, dois ou três locais que professam a prática de visões e intenções diferenciadas, utilizando-se do mesmo livro sagrado, cada qual pregando o seu próprio Deus.

E aí, penso: de que me adianta saber minha origem e o meu destino se, no percurso entre eles, sequer sei o que estou fazendo aqui? 

Sequer sou capaz de observar a simplicidade do estupendo que meus olhos enxergam. 

Sequer o outro, semelhante a mim, é capaz de me fazer mensurar a fascinante criação que sou. 

Sequer meu intelecto imaterial é utilizado para que, pelo menos, eu avalie o espetáculo de estar em meio a tantas belas e complexas inerências chamadas resumidamente de vida. 

Estou mais preocupada em mostrar ao mundo que sou uma besta incapaz de controlar meus próprios impulsos inadequados e descontrolados. Sigo caminhos acreditando que meus propósitos são os ideais, certa de que um dízimo, uma oferta ou um ato esporádico de caridade servirá de bilhete azul para adentrar no céu de um Deus que sequer sou capaz de reconhecer ao me olhar no espelho, ao fitar o mar ou ao sorver o ar que me mantém viva.

Regina Carvalho-21.7.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração- IA

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