sábado, 18 de julho de 2026

O AR QUE RESPIRO...

Foram duas experiências sem tê-lo e aí, nada mais tem importância... Na aflição controlada em retê-lo, entrando e saindo de dentro de mim, minhas narinas se aguçam como se dentro delas houvesse uma rede fina que pudesse recolher do espaço à minha volta um pouco de ar e, assim, de um momento para o outro, sinto-me uma pescadora de vida.


Na solidão íntima de um atendimento emergencial, tudo o mais deixou de existir, a mente se esvaziou e o corpo, no meu caso, nada mais sentia além do conforto de poder apoiar minha cabeça na barriga de meu filho que, como um anjo silencioso, permanecia de pé ao meu lado.

De repente, tudo o que realmente importava era conseguir sair daquela água repleta de ondas que insistiam em fazer de mim um molambo, descendo e subindo o meu corpo frágil, sufocando-me, enquanto perdia as forças tentando manter o ar em meus pulmões. Tudo tão parecido que mais parece um replay aflitivo de tempos passados...

E aí, neste instante em que o ar voltou a fluir, me mantendo viva, o que mais pode ser importante além dele? 

Provavelmente a delícia de poder imaginá-lo em meio ao verde que me cerca, aos pássaros que voltei a escutar fascinada, aos meus dedilhares de emoções, onde diariamente registro em palavras o que os meus sentidos expressam, fazendo de mim uma tola poeta que não abre mão de fazer amor com a vida.

Regina Carvalho – 18.7.2026 – Pedras Grandes, SC

Ilustração: IA

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