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PENSE NISTO

Loucura este nosso Brasil com tantas festas e feriados e em se tratando da Bahia e do Rio de Janeiro a coisa ainda é mais séria. São tantos os santos a reverenciar, tantas lavagens perfumadas aos Orixás, que não sobra muito tempo para se pensar na própria vida e na ausência real de proteção dos mesmos, já que a pobreza e o abandono social são dos mais altos da nação. E para se manter a tradição da alienação social, ainda são promovidos pelos governantes locais, festinhas e festivais disto ou daquilo, levando o povo a um arrasta pé contínuo de um lado ao outro da senzala coletiva, onde sonhos são soterrados e perspectivas frustradas. Não joguem pedras em mim, não fujam da realidade, onde os reis não possuem coroas, mas os súditos possuem altares, onde dobram seus joelhos, buscando na fé a esperança de alimentar um céu divino como recompensa da terra bruta que os abriga, da fome que dói, corrói sentimentos e os embrutece. Oi abre alas que eu quero passar Eu sou da lira, sou da birra e teimosia Sou brasileira, sou sem eira e nem beira Oi abre alas, deixem-me dançar.

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