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UM DIA APÓS O OUTRO

Lá vou vivendo e como sempre tenho dito nos últimos tempos, de lambuja, afinal, são tantas as graças recebidas que até as vezes, sinto-me envergonhada em reclamar, isto ou aquilo, como hoje por exemplo, cuja noite foi em claro sem uma razão justificável, já que dormir bem sempre foi a tônica de minha vida. Penso então, que também nos últimos tempos, principalmente depois de passar quase 50 dias acreditando estar portando um câncer, tive bastante tempo ocioso para refletir sobre o que é importante ou desnecessário, reforçando assim, a minha certeza de que suavizar os meus dias presentes, mais que uma necessidade, deveria ser um dever. O câncer não havia, mas a certeza da inutilidade da maioria das atitudes, palavras e pensamentos que conservava ainda nos meus hábitos cotidianos, estes sim, deveriam ser extirpados para me oferecer sobrevida mais plena. E é o que tenho feito com disciplina, todavia, ainda sou fisgada por este sistema brutal e de repente, lá estou eu dando importância ao que nada, verdadeiramente me oferecerá qualidade de vida. Naturalmente, para quem já atingiu uma certa maturidade existencial, estas derrapadas sistêmicas são arrasadoras, pois significam anos luz de evolução que se confundem e aí, bem... aí, como dormir, como buscar o perdão pessoal por ser ainda tão pequena espiritualmente ao permitir que a minha arrogância me levasse a crer que eu já estava pronta e acima das “coisas” que introduzimos como “normais”, no convívio uns com os outros. Concluo plagiando Casimiro de Abreu em seu poema PERDÃO: “ Perdão a mim que não pude Calar a voz do alaúde E nem comprimir os meus ais! ”

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