sexta-feira, 15 de maio de 2015

NENHUMA SURPRESA


Em dias como os dessa semana em que aparentemente tudo fica meio que capenga e sem graça, que coloco em funcionamento todo o mecanismo de tolerância que venho desenvolvendo por anos a fio, onde passo a passo, fui aperfeiçoando a capacidade do direito que os demais têm de agir, pensar e sentir de modo diverso ao meu.
E pensando nisto, no aconchego do meu cantinho das reflexões, concluo que não é uma tarefa das mais fáceis e talvez, por esta simples razão, a humanidade se estapeie desde sempre.
O reconhecimento pessoal da inexistência da verdade absoluta, seja lá do que for, é sempre um desafio que a grande maioria sequer é capaz de pensar, quanto mais mensurar.
Alguns até podem crer que estão sendo humildes ao reconhecerem tais direitos e que respeitá-los, seja uma capacidade dos bons de coração e talvez, em muitos casos, seja. Não sei, afinal, existem tantos sentimentos conflitantes em meio a todos os tipos de relacionamentos, que fica quase impossível, definir uma das infinitas possibilidades que fazem as pessoas se calarem, engolir em seco e, etc.
Pensando em tudo que vivenciei nesta semana, sou levada a reconhecer que na realidade, pelo menos minha, o fato da inexistência das surpresas, em absolutamente tudo, amenizou a vontade interior que implorou para fazer valer a minha opinião, fazendo dela, verdade absoluta, mas se assim agisse, jogaria por terra, décadas de exercício pessoal, abrindo espaço para a ignorância de quase tudo ou para a desfaçatez de quem desconhece um simples comportamento de respeito humano.
Agora, sentada em meu cantinho, ouvindo a chuva cair lá fora e podendo respirar este aroma de terra molhada, mesclada com o sabor do chocolate quente que estou tomando, acho que posso mandar “à merda” todos os sacanas com os quais precisei conviver, ativando todo o meu arsenal de paciência e tolerância, porque, afinal, também sou filha de Deus.
Então sorrio, achando a vida como sempre bonita, acreditando sinceramente como Fernando Pessoa; “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”.


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