Pular para o conteúdo principal

MAS POR QUÊ?


São quatro e trinta da madrugada desta segunda sexta-feira de maio e, novamente sozinha em meu canto de reflexões, penso no porquê da inquietação que venho sentindo nos últimos dias.
Questiono-me, afinal, são tantos os anos de exercícios cotidianos, onde busquei tenazmente aperfeiçoar a convivência entre o sistema social e minha própria natureza, numa busca constante de um equilíbrio que me permitisse um vivenciar menos pesado, menos agressivo, menos traumático, que não posso deixar passar batida esta alteração, que por dias e noites vem abalando a progressiva harmonia conquistada.
Paro de escrever, descanso os cotovelos na mesa, olho diante de mim, para o vazio da parede creme, como se nesta, eu pudesse fazer refletir a confusão de minhas emoções para poder, então, analisar encontrando respostas.
Mas por quê?
Ao fazer esta pergunta, deixo escapar um leve sorriso, afinal, não fiz outra coisa por toda a minha vida, pois com entusiasmo e persistência, perguntei a todos e principalmente a mim mesma, o por quê disto ou daquilo, numa necessidade visceral em atingir um entendimento que fizesse sentido ao meu todo de criatura humana, justo por não conseguir enxergar lógica racional na maioria dos fatos, das ações e das emoções com as quais o sistema no qual eu estava inserida me impunha como realidades a serem aceitas e vivenciadas, por estarem empiricamente ligadas à uma infinidade de hábitos e costumes que se vestiam de verdades absolutas.
Bem... como que para dar uma trégua a minha mente, levanto e abro a porta para que meus cães possam entrar e dividir comigo este momento, onde busco com determinação este novo esclarecimento, porque, também afinal, já não me é possível conviver com dúvidas, muito menos no que se refira a mim mesma.
Percebo com um novo sorriso que já tenho novas companhias, pois neste meio tempo, o tempo passou e eles os pássaros começaram a chegar com seus cantos que me encantam e, neste exato momento, penso que a música adentra nos interiores humanos, produzindo mais efeitos, que todas as palavras que possam ser ditas ou escritas.
O velho processo político, desgastado, viciado e corrompido que é praticado em nosso país, mas que nas regiões onde o nível educacional é fraco ou quase inexistente não só de conteúdo, mas principalmente de valores éticos e que se torna muito expressivo, pelo despropósito de sua expressabilidade, cegando quanto aos danos que causam, trazem à tona, pelo menos nas almas e mentes mais sensíveis e esclarecidas quanto as necessidades humanas, um desalento que faz doer.
E então, sorrindo me perdoo, pois compreendo com nitidez que ainda não será por agora que esta distorção será erradicada, cabendo às pessoas idealistas e apaixonadas pela potencialidade que existe em cada ser humano, a tarefa sutil, mas poderosa, de continuar semeando, oferecendo sua ínfima, mas sustentável colaboração.
Mas que dói e faz tremer os alicerces da alma, abrindo uma lacuna entre o lógico e o emocional, ouvir uma sessão dos nossos legislativos... 
Ah!!!!!!!
Com certeza dói...
E o mais doloroso é não poder copiar JESUS, dizendo:
_ Pai, perdoe porque eles não sabem o que fazem.
Porque sabem. 
Ah! Como sabem...
Eu é que não consigo conviver, indiferente a isto.
E por que deveria?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…