Pular para o conteúdo principal

MINHA MÃE


Hoje, ela estaria completando 93 anos e, certamente, ainda estaria com o seu sorriso franco e sua forma sempre discreta de ser. Era uma verdadeira dama, repleta de posturas adequadas sem, todavia, ser artificial ou pernóstica.
Gosto de me lembrar de sua serenidade no trato com as situações difíceis e de sua sensibilidade de comando na administração de nossa família, fazendo questão de deixar as glorias dos sucessos como méritos de meu pai, e este, sabia se gabar, na maior cara de pau.
Mas ela se foi muito cedo, com penas 48 anos, deixando nas nossas lembranças, seus lindos  cabelos negros que muito a incomodavam, pois escorria sobre os olhos, não havendo grampos que os prendessem de tão escorridos que eram.
Sinto até hoje não ter, como ela, meus cabelos lisos, mas em compensação, herdei os olhos negros  o sorriso largo e o gosto pela música e a poesia.
Herdei também o gênio forte, o espírito mandão e o prazer de escutar os sons do bendito silêncio, onde, então, o bater das asas do beija-flor, são como vibrações sonoras da mais alta qualidade.
Herdei também a capacidade em amar a vida, acreditando que ela não se acaba, tão somente se transforma, se transmuta e se renova em um ciclo interminável, deixando sempre como legado, uma memória emocional, onde não reside a consciência, existindo apenas uma continuidade de posturas e sentimentos, fácil de identificar.
Saudades de Dona Hilda que supero em todas as vezes que me olho no espelho e me abraço, pois sinto em mim, grande parte dela.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PRESTAÇÃO DE CONTAS DO PRIMEIRO QUADRIMESTRE DE 2018

Estive, como sempre, presente na Câmara Municipal de Itaparica por ocasião da prestação de contas que, diga-se de imediato, foi didaticamente explicada ao público presente, que se resumia em sua maioria a funcionários da própria prefeitura e assessores diretos da gestão. No entanto, todo o evento foi transmitido ao vivo pela sua Rádio Tupinambá FM. Acompanhei os itens apresentados com a mente aberta ao entendimento, mas reconhecendo as minhas limitações contábeis, deixando-me ao direito de apenas buscar dados que explicassem os gastos em relação à arrecadação que, na avaliação de pessoa comum do povo, pareceram-me elevados ao pensar na precariedade em que a cidade vem vivenciando o seu cotidiano. Em vista desta premissa, fui registrando algumas perguntas que as explicações da especialista em finanças, assim como a Controladora do município, não foram capazes de esclarecer, até porque, não cabia a nenhuma delas tecer considerações sobre as decisões da gestora em relação ao destino das ve…