sábado, 30 de março de 2013

Universo da solidão das palavras



No que escrevo, transformo-me na representação mais real do solitário, sem que haja qualquer conotação de frustração no ato constante de, ao escrever, estar só, tendo apenas, como companheiro, o universo da minha própria imaginação.
Agora por exemplo, a família inteira está reunida assistindo a um filme, na sala contínua a que me encontro e, de onde estou, posso ouvi-los e vê-los, enquanto posso também, egoisticamente observá-los, um a um nas vezes que faço pausa, entre uma frase e outra.
Penso no quanto somos unidos e no quanto somos diferentes, no quanto nos amamos e no quanto discordamos, fazendo desta parceria de vivência, um constante aprendizado, na consciência sempre presente do quanto somos singulares.
Posso também, escrever ao som dos grilos que posso dimensionar de forma a suplantar todos os demais sons, como se em minha mente houvesse um controle de volume que disponho ao meu prazer.
 Faço isso agora, e me deixo invadir pelos sons da noite que me chegam através da janela, trazendo com eles, o aroma de terra e das vegetações molhadas, meus velhos conhecidos de quem tanto gosto.
Gostaria de escrever um verso esta noite, escrever até mesmo plagiando Neruda, mas minha mente se recusa, sinto-a pensando e pensando num frenesi absurdo de palavras e emoções incontroláveis, mas como estou só, respiro fundo e me perdoo, deixando apenas fluir o que observo, extraindo desta solidão de escrevinhadora, poemas sem rima, palavras sem nexo, versos sem fim.

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