quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

DIFERENÇA...


 
Estou aqui pensando que o bom gosto, o apuro das preferências, a qualidade enfim das escolhas seja lá do que for, são as grandes diferenças entre os jovens da década de sessenta para os atuais.

Mas também penso que posso estar sendo, na realidade, apenas preconceituosa. Que esses jovens atuais apenas são o resultado dos novos tempos e que, para eles, este é o conceito de qualidade, da mesma forma que nos anos sessenta as músicas, as roupagens e os comportamentos eram estranhados, se bem, que é preciso não se esquecer da profusão de talentos que não deixaram nada a dever aos seus antecedentes em qualquer área que se possa lembrar.

Nossa, como é difícil traçar-se críticas, que não firam a lógica de cada tempo!

Pois é, pensando nisso, mudo de assunto, afinal, estou sendo influenciada pelo som que o meu vizinho insiste que eu ouça e que, além de tirar de mim o direito a paz de um merecido pós-festas, ainda me induz a crer que todos são como ele, ou seja, jovem de mau gosto.

Tento desviar minha atenção, dirigindo-a as lembranças do que fiz em meu trabalho no decorrer do dia e, novamente, sou atraída pelo mau gosto de lembrar o que uma funcionária me respondeu, quando apresentei um tópico musical que eu cria ser adequado para o horário das 20 às 22 horas. Disse-me ela:

-  Essas músicas  podem ser bonitas, mas os jovens não gostam. São muito antigas...

Eu falava de Chico, Gonzaguinha, Elis, Milton, Vinícius, Gil e etc. que ela reduziu a um passado remoto, como se no aqui e agora, não houvesse mais lugar para eles.

Por um segundo, reflito a respeito e vejo-a cometendo o mesmo erro avaliativo que eu na medida em que englobou os jovens dentro de uma redoma, onde não há lugar para nada mais que não seja o atual, e então, percebo assustada que ficamos ambas nos extremos avaliativos,  o que vem provar que estamos absolutamente equivocadas, pois permanecemos fechadas ao novo, independentemente de que época seja a sua origem.

Penso então no bendito equilíbrio que, por ser mais vivida e, portanto, com uma carga bem maior de experiências, deveria estar presente nas minhas avaliações, mas aí, penso também que a falta deste equilíbrio é tão somente um hábito enraizado que foi sendo construído, passo a passo, ao longo da vida, como uma forma de proteção aos costumes que vim trazendo como adequados às minhas preferências e necessidades e enquadrando-as como ideais e que o mesmo se repe nos hábitos desta minha funcionária, em um ciclo nada original, mas absolutamente compreensivo, por se tratar de um comportamento de defesa de valores, cada qual há seu tempo.

Penso, portanto, que ao me lerem neste instante, seja possível que encontrem alguma lógica em meus devaneios de criatura agoniada, diria até, muito sofrida por estar a horas tendo que escutar e escutar o mesmo batidão sem qualidade que mais que ferir meus ouvidos, fere-me a alma, as ideias e a minha capacidade de pensar algo que não seja a de imaginar-me capaz de drásticas atitudes em prol de minha sobrevivência emocional.

Penso nos anos sessenta e não consigo me lembrar de nenhum vizinho que fosse invasivo, desrespeitoso, ao ponto de adentrar nas casas alheias, sem pedir licença.

Será que enquanto penso em qualidade e bom gosto,deixo esquecida em minha mente, a educação?

 Não seria este, o fator básico que diferencia uma geração da outra?

Pois é... Que coisa, hein!

Em função das cruéis circunstâncias em que me encontro e percebendo a ausência de minha capacidade plena de raciocínio, deixo no ar esta questão.

Ajudem-me por favor!!!!!!!

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