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BORBOLETAS E SAMAMBAIAS


 
Hoje acordei com as poesias de Casimiro de Abreu na cabeça, especialmente aquela em que ele diz:

- Ah! Que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais...

Olho através da janela para a mangueira do quintal e por segundos transporto minha mente para Guapimirim em um dia qualquer da minha também infância querida que o tempo jamais conseguiu apagar.

Lembro-me do riacho com suas pedras roladas e das samambaias gigantes que enfeitavam suas margens, lembro-me das piabas mordiscando minhas pernas, naqueles dias encantados que o tempo não apagou.

Vejo ainda, as borboletas, todas elas encantadas que, destemidas, se aventuravam por entre as folhagens e bailavam, oferecendo a mim magnífico espetáculo de força, leveza e liberdade que, mais que emocionada, permitiu-me bailar a mente, através de milhares de universos, onde os  sonhos e as fantasias mesclavam-se às paisagens em um cenário sem igual.

Bendita infância que os anos não trazem mais, a não ser nas doces lembranças, nas recordações queridas que me acompanharam vida à fora, como guias e como margens, orientando e contendo, meu rio caudaloso de emoções.

Ah! Que vontade que eu tenho de ver as crianças de hoje, curtindo com emoção, as borboletas douradas, voando, voando com elas, fantasiando o imaginário com os contornos das nuvens, bordando a mente com os frutos e com as folhas das samambaias e pincelando o futuro com as cores do arco íris.

Hoje sinto saudades da infância de outrora que não enxergo nos imaginários de nossas crianças de agora.

Que neste ensolarado sábado, as emoções da sua infância, aflorem em seu imaginário, trazendo ao seu tudo pessoal, o sol da vida e da liberdade.

 

 

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