Pular para o conteúdo principal

SILÊNCIO BENDITO


 
Pouco a pouco a casa foi silenciando e os sons externos da natureza foram adentrando, enchendo os espaços e induzindo-me a pensar e a sentir que não havia mais paredes, qualquer barreira em uma transcendência natural.

De olhos fechados, pude escrever na mente tudo quanto agora, neste instante, sou capaz de registrar em palavras, buscando escrevê-las com toda a carga das emoções sentidas, pensando que talvez, seja esta a única capacidade do escrevinhador, que é justo, transcrever suas espantosas observações, antes de permitir seus envios ao seu próprio interior mental, criando assim a cada instante para si, a imortalidade explicitada em versos e prosa.

Bendito silêncio que faz de mim um ser imortal, instigando-me a ouvir bem mais que o corriqueiro, a sentir bem mais que o banal, a querer bem mais por todo o tempo sem, no entanto, instigar-me aos devaneios da brutal ansiedade que constrói miragens, cobrindo com seu véu invisível, as realidades.

Em dados momentos como acontece agora, a realidade dos sons e dos aromas são  tão reais a minha mente criativa, que interrompo a escrita e ponho-me a sentir o perfume abusado das rosas e a escutar os grilo afoitos que de tanto cantarem, dão-me a impressão de estarem  entre as fibras  de meus tapetes em um carnaval  de muita alegria, fazendo-me crer que através dos aromas e dos sons, transcendeu-se o tudo mais, e que, enfim, o tudo de bom, tornou-se uma coisa só.

Penso então em Deus, tão falado e esquecido, quase nunca é enxergado e muito menos sentido, seja no simples ou no comum do todo instante, e, muito menos, na transcendência da mente.

Que nesta sexta-feira, você que me lê neste instante, consiga despertar a sua vontade voluntária em desejar e buscar o seu silêncio bendito, fazendo com ele a sua viagem de vida e liberdade mental entre os sons e as cores, deste fim de outono magnífico.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…