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A PRAÇA


São 3:28h desta manhã de quarta-feira de puro verão itaparicano e ao contrário do que possam pensar, já dormi e muito bem.
Como de hábito, durmo e acordo bem cedinho, pois é justo neste horário que sozinha em meu cantinho, livre de barulhos e demais interferências, posso pensar com mais tranquilidade a respeito de determinados assuntos que de alguma forma me afligem e que, tão somente, merecem de mim maior atenção.
Desta vez, o assunto é a “PRAÇA DOS VERANISTAS”, que mesmo não recebendo a merecida atenção e cuidados especiais por tudo que sempre representou na memória de todos que nasceram, veranearam ou simplesmente visitaram a cidade, pois indiscutivelmente, este local representa um dos mais belos cartões postais com os quais nossa cidade ficou conhecida mundo afora, inadvertidamente, se vê invadida, violada em sua estrutura física por toneladas de equipamentos pesados, caminhões, fios e tudo o mais que uma estrutura circense necessita.
Fui constatar com os meus próprios olhos, acreditando que estava diante de um equívoco que logo seria corrigido, mas qual foi minha surpresa ao confirmar que a Secretaria de Infraestrutura, após questionamento público e as devidas providências quanto a instalação de banheiros químicos, a solicitação da presença da polícia militar e o compromisso dos empresários circenses de que reparariam todos os estragos que porventura causassem à Praça dos Veranistas, havia autorizado em conformidade ao pedido da Secretaria de Turismo, em favor das “criancinhas de meu povo”, que nunca puderam conhecer um palhaço de circo, a ocupação da praça pelo circo por um período de dez dias.
Diante deste argumento e da firmeza da indiferença quanto a quaisquer reações contrárias da população e da mídia, e muito menos com o que eu poderia vir a falar, através da Rádio Tupinambá, no exercício de meu trabalho jornalístico, nada mais me restou,  juntamente com a minha decepção, me retirar, ainda em um transe de absoluta incompreensão, pois afinal, até então, acreditei que duas ou mais cabeças juntas, seriam capazes de pensar e avaliar melhor as necessidades e prioridades para Itaparica e, por esta razão, parecia-me absurdo que tanto a Secretaria de Turismo quanto a de Infra, ambas tendo à frente itaparicanos nativos, pudessem não enxergar o absurdo de cederem um marco cultural da cidade para fins que, certamente, não condizem com as finalidades originais.
Realmente os tempos estão mudando hábitos e costumes e indo mais além, banalizando infelizmente as tradições e o belo.
Entristece-me pensar que quanto mais informações recebemos de outras nações desenvolvidas que preservam seus patrimônios públicos como bens maiores, nós emburramos e nos colocamos como algozes de nós mesmos, usando nossos títulos universitários, cargos e poderes, como cusparadas certeiras nas nossas culturas locais, acreditando que podemos tudo na mediocridade de nossas visões.
No reconhecimento de minha total impossibilidade de reverter este horror perante aos céus, deixo aqui o meu lamento, minha tristeza e minha dor, além de hipotecar minha solidariedade aos diversos cidadãos que estão telefonando para a Rádio expressando seus protestos e indignações.


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