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FALA SÉRIO..


Acabo de acordar com a cantoria dos pássaros, são 4:30 h da manhã e mal abro os olhos, posso também ouvir a minha mente falando e atropelando a si própria em meio a tantas informações que foram se acumulando, não apenas neste ano que se findou, mas com certeza em uma vida inteira.
Venho então para o computador, afinal, preciso ordenar toda esta barafunda, não sem antes discordar do tema, pois há uma parte de meu cérebro que acredita firmemente que é uma tremenda falta de bom gosto, nos acordar num domingo na Bahia, em pleno verão, com a mente pululando desordenada entre políticos, imprensa, sociedade civil, divisão de castas, programas sociais, falácias e tudo o mais que abasteceu os noticiários, serviu de tema de acalorados debates políticos e entreteve as redes sociais, que assistimos, lemos ou ouvimos quando da disputa eleitoral, e como panacas, pois foi assim que me senti e, provavelmente, outros tantos mais, ainda me dispus a dar opiniões quanto ao que  parecia certo ou errado, adequado ou não, quando na realidade, tudo quanto dever-se-ia discutir e alterar em benefício da “PÁTRIA” era a precariedade de todo o nosso sistema avaliativo que foi se confundindo ao longo de seus quinhentos e poucos anos, no vazio da ignorância política quanto ao querer entender seus direitos e deveres, abrindo e, portanto, incorporando a postura da submissão em qualquer nível social, pois a preguiça, a falta de instrução de conhecimentos formais e domésticos de excelência e por toda uma herança genética poderosíssima e contagiosa, nos  foi caracterizando como um povo alegre, mas sem brio, generoso, mas esperto demais para dar um ponto sem nó e, por consequência, astuto e inconsequente.
E enquanto escrevo, ordenando a mente, sinto-me tola, porque a quem poderá interessar nesta altura da situação em que o Brasil se encontra, o que uma mequetrefezinha do interior da Bahia, pode achar ou deixar de achar disto ou daquilo, se nem mesmo no seu reduzido metro quadrado existencial sistêmico foi capaz de arrebanhar seguidores com a mesma visão humanística que pudesse alterar o apodrecido sistema político social.
Passadas as festas, os sorrisos e as alegrias programadas, lá vem chegando de mansinho as realidades com as quais também fomos programados a acreditar serem absolutamente normais, ou melhor dizendo: devam ser reverenciadas se forem comparadas a um passado ainda recente de ditadura e censuras, induzindo-nos a apoiar, graças à “Comissão da Verdade”, que deveríamos como forma de compensação, distribuir polpudas aposentadorias como reparo às atrocidades cometidas contra os bravos defensores da democracia, quando se atentos fôssemos, identificaríamos sem quaisquer dúvidas que os algozes que ora distribuem compensações, só  mudaram suas vestimentas, mas permanecem atuantes, tirando e esfolando vidas, sem uniformes ou armas visíveis, mas com certeza empunhando as baionetas e bazucas da pouca vergonha e das roubalheiras que quando não matam através dos abandonos colorido de falácias e migalhas, esfolam, ferindo de forma indelével toda uma estrutura de gerações inteiras, cujas feridas são impossíveis de serem mensuradas.
Todavia, preciso reconhecer que a resistência à Ditadura que sobreviveu, vestiu-se de vermelho e estrelou-se, é persistente quanto a transformar o Brasil numa cópia tropical de Cuba, onde um grupo de “fuleiros espertos” se perpetuam no poder, graças a um corroído idealismo que a realidade dos fatos fez sucumbir, mas que acobertada por falácias coloridas,  impetra ao povo e a ganância de muitos, o seu poder de barganha.
Percebo neste instante que a apatia que me afastou do convívio e das discussões políticas e sociais a cada dia ao longo basicamente deste ano de 2014, tem sido, tão somente, uma enorme tristeza por estar finalmente, enxergando sem véus de patriotismo, socialismo ou qualquer ideologia, o flagelo que nos tornamos, pois até mesmo os exemplos de merda ao nosso redor no continente, passaram a ser parâmetros de qualidade em nossa fraturada e distorcida avaliação.
Afinal, quem não foi cooptado, comprado e amordaçado, se empenha à vir a ser e aquele que sequer é capaz de qualquer avaliação, sorri e dança ao som dos pagodes, arrochas e trios elétricos, atravessando fronteiras territoriais, sempre balançando seus troféus de pobreza e ignorância ou ambos, o que é mais devastador.
Enquanto isto, os deputados aumentam seus salários, o Senado se mantem conivente e comprado, os Juízes perdem a cada dia suas já corroídas decências e os Militares quase que transparentes se limitam a invadir e pacificar favelas, tentando controlar o que a vergonha nacional produz.
E ainda logo no início de 2015 a pérola de garantir aos ex-governadores, por seus árduos trabalhos por extensos 4 anos, no caso do Maranhão apenas 25 dias, pensão vitalícia extensiva aos descendentes.
E ninguém diz nada....
Faz nada...
Onde estão os líderes deste país?
Fala sério!!!!!!



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