quarta-feira, 17 de setembro de 2014

ONTEM E HOJE



Ontem após o jantar, como de hábito, sentamos no sofá da sala para assistirmos TV e também prolongarmos mais um pouco nossas infindáveis conversas e o assunto juventude fluiu naturalmente em forma de um saudosismo gostoso, mas ao mesmo tempo trazendo consigo um comparativo do ontem e do hoje, nos hábitos e conceitos humanos que como sempre evoluíram, porque, afinal, esta é a lei natural da vida, mantendo-se permanentemente em movimento, o que necessariamente, não significa que foi para melhor.
Fomos relembrando as transições conceituais que se intensificaram nos anos sessenta, justo quando ainda adolescentes, não estávamos devidamente preparados para abraça-las e muito menos nossos pais e professores, o que nos obrigou na marra a ir assimilando as novidades e entre mil tropeços ir encontrando nossos próprios caminhos.
Uma loucura, se analisada a situação após estes alucinantes cinquenta anos, onde em alguns momentos fomos simplesmente sendo levados e como náufragos, nos agarrávamos às boias eventuais, sempre existentes ao longo do percurso.
Sorrimos juntos em inúmeros momentos em que nos lembramos do romantismo que nos envolvia e na quase total ingenuidade de nossos propósitos. Lembramos da liberdade contida pelo senso natural de um resguardo pessoal que nos foi impresso por nossos pais e que mesmo nos parecendo arcaico, já naquela época, nos serviu de parâmetro resistente a qualquer possível tentação mais ousada e que representasse maiores violações ao código familiar, sólido e profundamente resistente que, afinal, nos manteve íntegros até o presente momento.
Nosso medo residia tão somente em sermos flagrados pelos meus pais em nossos momentos de amor ou a um possível raio que nos escolhesse atingir, afinal, quem pensaria em roubos, sequestros ou bala perdida?
Qual o jovem que pensava em traficantes, assassinos e corruptos?
Mas com certeza, eu já apreciava e me arriscava na minissaia, aderi de imediato à expurgação do sutiã e, adorei fazer sexo as escondidas com o amor de minha vida, na mais pura entrega dos meus dezessete anos.
Neste exato momento, intensificamos nossos olhares e sorrisos, porque instantaneamente, fomos atingidos pela doçura de tempos passados que na realidade nunca se foram, pois ficaram impressos em nossas posturas cotidianas, reforçando sentimentos, alicerçando bases.
Certamente eu poderia ficar eternamente relembrando cada instante, cada valor adquirido, assim como considerar que os tempos passados eram melhores que os atuais, mas isto pouco iria adiantar argumentar, porque afinal, os tempos são os de agora e as expectativas também.
Penso então, que felizes somos nós que sobrevivemos por todo este tempo que voou e que, infelizmente, também passou, mas que foi capaz de deixar em nós, infinitas lembranças que nos fazem sorrir a cada momento que nos permitimos reviver.
Bons tempos dos passeios de mãos dadas, dos beijos roubados, do sexo com amor.
Bons tempos dos cheiros, dos toques e dos sabores.
Bons tempos do respeito, dos sentimentos e das emoções.


OBS:

Ao amigo Zé da saúde a minha mais sincera compreensão quanto a  sua solidão em constatar que os conceitos que nos estruturaram, hoje são dolorosamente, desconhecidos.

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