Pular para o conteúdo principal

APENAS PENSANDO


A tarde está se despedindo e os pássaros mais tranquilos, se despedem também deste dia ensolarado ao som de seus variados cantos e eu, cá estou com os meus cãezinhos, ainda me recuperando da recente perda de minha querida amiga e naturalmente, sou levada a refletir sobre minha própria vida.
Como os pássaros, levanto voo e rumo aos anos passados e inevitavelmente, penso no quanto permaneci na transgressão do sistema, não abrindo mão do resguardo da minha liberdade em ser e pensar por mim mesma, sempre também disposta a pagar o preço que o sistema hipócrita, não tem escrúpulo em cobrar.
Fugi da camuflagem  que estão sujeitos os sentimentos e emoções, justo para não ter que fugir de mim mesma, como já ainda muito jovem, observava nas pessoas a minha volta e, por pura intuição, sentia que precisava me defender de tudo que me parecia totalmente destoante e, confesso nem sempre foi fácil, mas também admito que, só valeu a pena rebelar-me contra rótulos e preceitos, absolutamente contrários a minha natureza livre, o que em momento algum se transformou em libertinagem, pois onde reside o entendimento da importância da vida, não há lugar para a falta de senso da também importância de si mesmo, mas também é claro, tudo por total intuição, pois a conscientização veio através das experiências cotidianas, assim como a certeza de que jamais serei capaz de assimilar qualquer modelo ideal de vivência, reservando-me apenas, o leve fardo.
A noite já chegou e os grilos substituem os pássaros, nesta festa contínua que é viver.

Para você que me lê,  “eu desejo um sopro do criador, numa atitude repleta de amor”, pois para ele, “a vida é  viver”.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

AS MULETAS DO SÉCULO

A crueldade sempre esteve presente nos relacionamentos humanos, numa necessidade quase visceral de se estar torturando o outro, mesmo em pequenas escalas não tão explicitamente apresentadas, mas em doses homeopáticas, como é possível de se observar em qualquer instância do relacionamento humano. Precisamos evoluir...
Precisamos urgentemente dar uma parada existencial e refletir sobre tudo que vivemos, pensamos e sentimos e, principalmente, fazer um reflexão em tudo que achamos que deixamos de viver, pensar e sentir, não como um balanço de perdas e ganhos, mas como um gesto de carinho conosco, numa busca amiga de novos recursos que possam aliviar as dores do mundo que arrebanhamos e que nos flagelam, adoecendo e descaracterizando o que de melhor certamente ainda nos resta, que é a nossa genuinidade.
Afirmamos que não há tempo a se perder, e aí, por infinitos caminhos, o acaso de nossa insanidade nos faz parar, geralmente, tarde demais para qualquer retoque que se pensou em dar numa vida …