domingo, 21 de agosto de 2016

TERNURA


São cinco horas desta manhã de um domingo que promete ser brilhante e ensolarado e, novamente, estou as voltas com as emoções humanas que me fascinam em todas as suas nuances e complexidade.
Penso então na ternura que é um sentimento que anda escasso, quase soterrado em meio aos atropelos de um sistema cruel, que vai a cada instante nos empurrando para os abismos da vaidade incontida e do exclusivismo marginal.
Incontido, porque a cada instante somos bombardeados por novidades e apelos de mudanças que mais que indutores, são correntes invisíveis que nos aprisionam num mundo de ilusões, onde não há lugar para a lógica que produz o bom senso, mas apenas para o exclusivismo que é inconscientemente, a única arma de proteção que acreditamos irá nos salvar e, no entanto, ainda assim, sentimo-nos cada vez mais isolados, vazios e pior, temerosos de tudo que nos rodeia, numa insanidade avassaladora.
Percebo que a doce ternura que nos envolvia e que nos impulsionava a sermos mais encantados em nossos minutos presentes, foi aos poucos, silenciosamente, adoecendo e minando nossas almas e levando-nos a uma praticidade de posturas, que destitui as atenções das trocas vibrantes de gentilezas, produtoras aparentemente insanas, por estarem fora da pressa que o consumismo das novidades exige, mas absolutamente reais e amigáveis parceiras da ternura, tão necessária à existência do carinho que, precede a afetividade.
E então, penso que quando, a ternura nos abandona, leva consigo a humanidade, deixando tão somente, espectros que mesmo bonitos, perfumados e ambiciosos, ricos e soberbos, nada mais são que, seres solitários em meio a solidão de si mesmos.
Que neste dia que apenas está começando, sejamos capazes de resgatar em nós, a ternura que nos torna os seres mais bonitos e completos do universo.



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