quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

FAZER O QUÊ?


Por necessidade de meu trabalho, diariamente, assisto os jornais logo bem cedinho, mas confesso que ando enfarada com a enxurrada de mesmices que ora são enfadonhas, ora são chocantes, reconhecendo, no entanto, que ambas são invasivas.
Então, refugio-me na contemplação da natureza na busca incessante de inspiração para tão somente ser capaz de absorver o belo para ser capaz de transmitir o ruim sem nele me contaminar, correndo o risco de me tornar uma desesperançada.
Na realidade, tudo não passa de atalhos que nossas mentes buscam na ousada tentativa de sobrevivência, já que o cotidiano sistêmico por si só já desgasta e faz doer, e se a ele for acrescido o impensável, o imponderável, o totalmente ilógico, aí, tudo fica quase insuportável.
Sinto que estamos vivenciando em nosso país uma era de absurdos tão grandes de serem devidamente mensurados, que tudo que me resta é justo refugiar-me na ainda existente natureza, fonte que até a pouco tempo, cri que jamais se esgotaria, mas que nós, criaturinhas destruidoras, já colocamos em risco.
Acabamos praticamente com a Mata Atlântica e, por consequência, comprometemos as nascentes dos rios, os lençóis freáticos, a fauna, a flora e a nossa própria existência.
Que coisa, hein!
E ainda não satisfeitos, fomos mais além, roubando e acelerando todo este processo de devastação ambiental, na ganância pessoal, na incompetência profissional, na arrogância política e na alienação social.
Então, fazer o quê, se todo mundo sabe de tudo, assim como fazer de tudo, tendo mil doutores em tudo e, verdadeiramente, ninguém faz nada, além das práticas já conhecidas e desgastadas que somos informados através dos meios de comunicação?
Refugio-me nos aromas e nas cores, apalpando a vida com os meus sentidos, na certeza de poder sentir com mais consistência a minha própria vida, que vejo esvair-se neste cotidiano devastador.

E assim, intuitivamente, reabasteço-me e recomeço a cada manhã este duelo sem fim entre o Deus e o Diabo, que habitam em cada um de nós.

Um comentário:

  1. Muito bom texto Regina. É tanto absurdo que acabo me sentindo absurda.

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