sexta-feira, 4 de abril de 2014

SEGURANÇA, eis o problema...


O problema que existe em Itaparica em relação a total insegurança que está tirando a cada dia o direito do povo de ir e vir com um pouco de paz, não está resumida na falta de delegados ou de policiais e sim no total abandono por parte do Governo do Estado e na inércia de nossos representantes junto às lideranças políticas que por aqui aportaram em busca de votos e que, certamente, voltarão nos próximos meses, quando das eleições que acontecerão no próximo mês outubro.
Reconhecidamente se formos justos na análise deste problema que atinge a todos nós, observaremos que além deste abandono, também nos faltam profissionais da polícia verdadeiramente empenhados em suas funções, haja vista que em algumas raras ocasiões tivemos certa calmaria.
Por outro lado, não houve uma verdadeira adesão de apoio à classe, já que a mesma, também em raras ocasiões, se dispôs a manter um vínculo mais próximo com a população e com as autoridades políticas, permanecendo cada qual em seus casulos, o que é totalmente fora de lógica em um Município pequeno, relativamente fácil de ser administrado em todos os sentidos e onde pela lógica existencial e humana, todos de alguma forma se conhecem e, portanto, deveriam estar unidos frente a qualquer possível inimigo.
E a violência física e emocional será sempre em qualquer sociedade o maior inimigo, pois deriva-se basicamente da deseducação e consequente ignorância vivencial de seu povo, alimentando, assim, a continuidade crescente e devastadora de todo tipo de inadequação postural, seja social, política, religiosa ou o que pudermos observar, pois todos estes segmentos, infelizmente, foram jogados em um só balaio de corrupção e vandalismos por todo o nosso país e que, naturalmente, nos atinge sem dó e sem piedade.
Particularmente, no início deste mês de março, propomos a formação de um Conselho de Segurança Pública que viesse de forma inédita dedicar-se a justamente trabalhar as carências deste setor de profunda importância para o Município, deixando claro da necessidade das pessoas que possuem algum poder ou prestígio se unir a nós, deixando os partidarismos, as vaidades, as possíveis antipatias pessoais e etc. e tal, num plano de menor importância, visando-se apenas a busca do bem comum nesta área, mas reconhecendo que teríamos de atingir com olhos de águia e coração de mãe, todos os demais setores sociais de nosso Município.
Bem, resumindo, apenas aquelas pessoas que diretamente procurei aceitaram participar deste movimento cujo nome pode ser igual a tantos outros que se seguiram em outras ocasiões, mas que desta vez, tem como objetivo ser estruturado sobre outro prisma, ficando de fora, toda uma população de políticos, comerciantes, formadores de opinião de vários seguimentos, que se tomaram conhecimento da proposta, sequer se interessaram em saber exatamente do que se tratava.
Vale ressaltar que foi amplamente divulgado através da Rádio Tupinambá desde o mês de fevereiro de 2014.
Portanto, por uma questão de lógica racional deixo algumas perguntas para que se puderem me ajudem a encontrar as respostas:
Por que não houve sequer curiosidade por parte destas pessoas, algumas até mesmo vítimas desta violência?
Quem inventou que político para agir em favor dos interesses do povo, só o faz se motivado em particular?
Quem determinou que por ser autoridade, cada policial, seja civil ou militar, precisa se esconder por trás de títulos, cargos ou uniformes, coagindo a população em geral, quando deveriam a ela se unir em prol de uma harmoniosa e participativa convivência?
Quem inventou que autoridade pública é um espécime raro, intocável e acima de suas próprias atribuições de trabalho?
Por que as pessoas viciaram-se nos seminários, convenções e todo tipo de salamaleques e discriminam as ações simples e humanas de tão somente terem-se propósitos e serem fiéis a eles?
Pois o que constato nestes doze, quase treze anos em que estou à frente de meios de comunicação neste Paraíso terrestre que chamamos de Itaparica é justo uma população dita carente, mas altamente participativa e sempre pronta a se juntar seja lá no que for em prol da solidariedade, enquanto, os chiques e poderosos se mantém silenciosos e tão somente se lamentando, culpando este ou aquele, principalmente se não atendem aos seus interesses pessoais, políticos ou ambos, numa cegueira inexplicável, que infelizmente gerou e gera aparthaids sociais, mãe poderosa de todo e qualquer tipo de violência.
E aí, inevitavelmente, como filósofa social e membro desta comunidade que amo, penso no quanto perdemos em qualidade de vida e grandeza de propósitos com toda esta cegueira e mesquinhez social.
Ainda não contamos, mas neste mês de março, até o presente momento, já conseguimos uma sala quase completa de alimentos não perecíveis, oriundos em sua esmagadora maioria de pessoas e comerciantes simples, residentes em bairros carentes que não pensaram duas vezes para abrirem suas despensas e seus corações para amenizarem a fome alheia, um dos principais motivadores da violência.
Esta é a força da comunicação séria, despertando consciências, alterando posturas.
Tenho ouvido que o itaparicano não é mais bobo e que nas eleições vai fazer a diferença. Prefiro achar que o Itaparicano jamais foi bobo, apenas ingênuo e meio adormecido e que aos poucos, com as devidas motivações, vem despertando para a sua própria dignidade pessoal, partindo de si mesmo, através de suas posturas.
Violência é uma somatória de ações não realizadas, com as quais se constrói uma civilização, uma história, um momento.
- Quem quer faz a hora, não espera acontecer!





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