Pular para o conteúdo principal

Pois é...


O domingo está amanhecendo, e posso de onde estou sentir o friozinho safado que vem lá de fora, teimoso e insistente, querendo fazer com que eu pense que já é inverno, numa tentativa quase infantil de confundir-me.
Qual nada, bem sei que estamos no outono e que este frio é só um lembrete de que ele chegará como sempre chuvoso, mas na maior parte do tempo, morno pra quase quente, pois afinal, aqui é a Bahia, onde o sol é bem mais presente.
Enquanto o meu corpo e meus sentidos se entrosam com a temperatura externa, minha mente voa como sempre faz nos amanheceres de minha vida.
Tanto quanto posso me recordar, foi assim sem tirar nem por, porque, afinal, acordar bem cedinho, antes de o sol raiar, só para me antecipar às maravilhas do amanhecer, foi sem dúvidas minha prioridade, minha rotina, meu prazer.
Descobri, ainda muito jovem, o quanto neste horário minha mente especulativa era capaz de produzir, através das viagens criativas de meu emocional que, absolutamente curioso e passional, sempre esteve disposto a percorrer os caminhos dos comportamentos humanos, em buscas e encontros, surpreendentemente reveladores.
Ao longo do tempo, também fui compreendendo que por uma questão de lógica, pois a vida em toda a sua complexidade é pura lógica, que a produção aparentemente virtual de minha mente, era tão somente uma pequena, mas significante vibração em parceria com outras e outras vibrações humanas ou não, em um ciclo de interação universal sem fim, fazendo de mim um ser participativo e, absolutamente atuante neste contexto de vida e liberdade, onde o gerente é a rotatividade cósmica e eu apenas um fragmento existencial.
Enquanto escrevo, tudo lá fora se transforma. Percebo que já não chove como dantes e os pássaros ariscos cantam mais próximos das árvores e de mim, numa orquestração deslumbrante que chama a minha atenção, fazendo de mim, com certeza, a criatura mais feliz deste universo, pois me sinto viva, bonita e amada, me sinto gente, fragmento abençoado.
Que neste domingo, meio chuvoso e meio frio, sua mente possa voar, buscando sua própria essência, num encontro alegre entre você e a certeza da importância da sua existência neste contexto às vezes complicado e aparentemente frustrante de existir.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…
SURREAL, na falta de uma palavra mais adequada para definir o espetáculo das diferenças sistêmicas que se apresentou no Paço municipal de Itaparica, nesta manhã de 15 de janeiro de 2018, quando da posse da nova Secretária de saúde, senhora Estela de Souza. Minhas observações são resultadas de um espanto generalizado de uma representação pra lá de inimaginável em uma terra abandonada pelos poderes públicos e que, como resultado, fez nascer e se desenvolver um povo acanhado, sofrido e marginalizado, incapaz de ter voz ativa associado à sensatez da busca do que acredita ser os seus direitos. Enquanto, uma elite frajola, elegante, cheirosa e desconhecida à cidade e ignorante das reais necessidades da mesma, discursava no salão imperial, aplaudindo a si mesmo, meia dúzia de oposicionistas gritavam palavras de ordem em nome de um povo acovardado que se escondia atrás de muros e janelas, incapazes de ter voz ativa, além do anonimato das esquinas, bares e corredores, numa expressividade indubi…