sábado, 4 de maio de 2013

A QUEM DE FATO E DE DIREITO...



Nesta manhã em reflexão, como profissional do jornalismo e cidadã altamente preocupada com a situação do povo itaparicano, no qual eu e minha família nos inserimos, coloco em pauta de questionamento a ser dirigido aos ilustres edis da câmara de vereadores, membros estes, que fazem, em sua maioria, questão de afirmar nas sessões plenárias, que foram eleitos legitimamente através do voto popular e que em alguns casos até enfatizam o número de votos recebidos, o que a meu ver é um direito e uma conscientização bastante gratificante aos eleitores se manifestarem votando contra o requerimento verbal do vereador  Nerivaldo, em  que o mesmo, solicita a presença em plenário da não menos ilustre secretária da saúde, Sra. Micheline da Hora, a fim de que, como legítima funcionária do povo itaparicano, venha oferecer aos munícipes uma explicação oficial e de cunho público da falta constante de remédios e materiais em geral, assim como de equipamentos e das constantes falta de médicos e dentistas, nas unidades da saúde, por entendermos que esta é uma atitude que deva ser encarada como correta e necessária, frente ao fato da mesma ser responsável por uma secretaria cuja importância é prioritária, quanto ao bem estar físico e emocional dos munícipes de Itaparica, pois também entendemos que, até podemos suportar, vacas, cavalos, buracos e até mesmo o lixo que nos ofende, mas não temos como frear , sem os devidos cuidados e remédios, as doenças físicas e emocionais que nos flagelam.
Podemos até sobreviver mais alguns anos com o esgoto a céu aberto que nos adoece e até mesmo não termos praças e festas que nos alegra, mas não podemos viver sem conter uma dor de dente que nos desespera ou com um filho que morre aos poucos por falta de assistência médica. Estou sendo crua em minha reflexão, porque entendo, assim como creio que você que vai me ler também entenderá, que nada, absolutamente nada é tão devastador ao ser humano quanto à dor e o abandono social, e que este é o fator impulsionador da violência e miséria que fazem parte crescente da realidade de nossa linda e paradisíaca cidade.
Como profissional do jornalismo a frente dos programas, Show da Manhã e da Tarde na Rádio Tupinambá, e como cidadã itaparicana, questiono a veemência com que os senhores vereadores abraçaram a causa defensória da não presença da ilustre secretária, inclusive explanando o óbvio ao senhor vereador Nerivaldo, quanto a sua ida a secretaria, como se este não soubesse deste procedimento e desconsiderando o fato de que tal solicitação tinha como cunho básico levar ao público a transparência e o não partidarismo, oferecendo ao desejar levar ao público explicações isentas de qualquer interferência individual, como deve ser, já que o vereador Nerivaldo, eu, e certamente, cada cidadão itaparicano, assim desejamos.
A blindagem que é oferecida a esta secretaria e a gestão do Prefeito Raimundo da Hora que inegavelmente tem faltado sistematicamente com suas obrigações prioritárias junto aos cidadãos é absurda, sem nexo e altamente perniciosa ao bem estar do povo que certamente agradece pelas reformas feitas nos postos de saúde, pelas praças e calçamentos, mas que também entende sentindo na pele que, infelizmente, não substitui o Losartana ou a fita de medição glicêmica que é determinante quanto à vida ou a morte de cada pessoa que deles necessitem, no qual, novamente me incluo, no meu mais sagrado direito constitucional de receber amparo social do órgão responsável no município.
Penso também, neste instante em minha reflexão, que o povo itaparicano, assim como eu, enxerga, tendo recursos educacionais ou não, que as ações desenvolvidas por esta secretaria vem se preocupando até o presente momento em apresentar realizações, cujos olhos do povo possam enxergar em profunda desconsideração pelo sentir físico dos mesmos, seja na dor de um dente lesionado, seja no constrangimento de estar-se desdentado por meses à fio por falta da entrega de uma prótese, seja pelo ferimento exposto que não encontra sequer um mercúrio e uma gaze para ser limpo, seja pelas doenças de cunho perigoso e notoriamente indutores à morte como pressão alta e diabetes, exemplos estes que são reclamados pelas pessoas, diariamente, através do som legítimo, aberto e indiscutível das ondas sonoras da Rádio Tupinambá e não menos implorado por minha pessoa na qualidade de profissional à frente de programas absolutamente isentos de partidarismos desumanos e arcaicos.
Em vista desta exposição que faço a mim mesma, a fim de conscientemente, não ser injusta em minhas ponderações, baseando-me apenas em fatos concretos e indiscutíveis por serem absolutamente reais e recorrentes no antes e no depois da posse de uma nova gestão em que a ilustre secretária sempre esteve  à frente da secretaria da saúde, venho então, com a tranquilidade necessária, questionar os senhores vereadores do por quê colocarem—se como defensores espadados em normas de procedimento regimentar, a não presença da mesma em plenário para que diante do público que pela Constituição Federal e pela lógica humana, não só paga o seu salário, como detém o direito supremo de receber dela a devida consideração de uma prestação de contas, com as devidas comprovações que possam ser posteriormente validadas, sem que haja a ação intermediária deste ou daquele representante da Câmara de forma solitária que, certamente, poderá sofrer questionamentos partidários, pondo em dúvidas as informações obtidas, como é largamente usado como cabo de guerra eleitoral.
Não seria, então, mais lógico que os valorosos edis, eleitos pelo legítimo voto popular e detentores dos poderes fiscalizadores, fossem os primeiros a defender os interesses populares ao invés de se colocarem politica e humanamente contra toda e qualquer ação de cunho esclarecedor e que possa vir trazer algum alento a um povo sofrido que ao longo destes quatro anos e alguns meses, vem sendo solapado sistematicamente em seus direitos mais que primários?
Não seriam os vereadores, as peças governamentais que deveriam sem firulas, mas usando dos seus costumeiros discursos inflamados, se postar a favor da humanização e da transparência, ao invés de ficarem sistematicamente, polemizando isto ou aquilo de menor ou nenhuma verdadeira importância aos interesses reais do povo que os elegeu?
Não estariam os vereadores com suas posturas políticas repetitivas e largamente conhecidas pelo povo desta cidade, antes sem voz, apenas voltados em prol de uma defesa de valores de uma gestão silenciosa e arrogante, incentivando-a e até mesmo acobertando-a quanto a sua obrigação de abrir portas e janelas administrativas, num sinal de respeito e consideração ao povo que a elegeu?
Não estariam os ilustres vereadores, esquecidos de que são os legítimos representantes do povo e não do gestor e seu secretariado?
Penso então, que quando reflito e exponho minhas reflexões, tenho tão somente o objetivo de que como profissional e cidadã, não me deixar influenciar por questões irrelevantes aos interesses maiores de todos nós, cidadãos itaparicanos, pois, afinal, mesmo leiga que sou quanto aos trâmites legais na condução dos trabalhos em plenário, sei, como todos sabem, que o cargo de vereador só existe porque as comunidades humanas precisam de representantes legais que exerçam a função de defensores de seus direitos individuais, daí o voto individual e não de grupos, justo para garantir-se através das visões diferenciadas, a legalidade em prol do desenvolvimento e bem estar do todo.
Reflito também, que o povo em uma expressiva parcela, já não se sente como se fosse apenas simples peça manipulável e que há muito compreende que uma revolução de hábitos e costumes viciados e corrosivos ao bem estar geral, não mais se faz através da pressa ou da virulência, mas sim através de um aprendizado gradativo que vai ganhando sentido e oferecendo a sabedoria necessária para ir-se separando o joio do trigo.
Penso então, que se os ilustres vereadores, alguns até com vários mandatos em seus currículos, se derem à responsabilidade pessoal de também refletirem sobre suas costumeiras posições plenárias, verão como o povo vem enxergando há décadas, o quanto existe de inversão de propósitos, que hoje, também silenciosos ele, o povo,  enxerga se repetindo, mas que certamente, nas próximas eleições que não tardará pois o tempo é implacável, haverá mesmo que aparentemente pouco represente, uma bendita seleção, pois afinal, este é o meio pelo qual um povo consciente, busca a sua própria evolução.
Esta reflexão que trago aos meus ouvintes e leitores é tão somente uma forma de mostrar a cada um, o quanto podemos ser manipulados em nossa ingenuidade e nos deixar envolver por fofocas e disse me disse, fora ou em sessões plenárias, que têm como objetivo maior, desviar o foco de nossa atenção, das falhas, das incompetências, dos desmandos e da total falta de compromisso público que nos leva a cada dia à também dura constatação, que as décadas se sucedem e nosso sistema de vida cotidiana e as nossas instituições, permanecem estaticamente retrógradas, ao contrário do que se pode observar através da TV, do rádio, da internet ou de qualquer veículo de comunicação que o mundo ofereça.
Nossa cidade e nossa política de governo continuam paradas, sem viço, sem qualquer transparência real, num redemoinho constante de flagelação desumana, camufladas por insignificantes ações de intenções paliativas e eleitoreiras que na realidade se compõem de apenas, parcas migalhas que brilham ofuscando os olhos do incauto, em detrimento das necessidades básicas que deveriam, aí sim, ser um bálsamo alentador das dores e sofrimentos da maioria que apenas, vota.
E aí, encerro minhas reflexões com o seguinte questionamento:
A quem devem os vereadores a obrigação de defender?
A nós, cidadãos que os elegemos, ou uma secretária qualquer que por ter um perfil humano  e supor-se qualificada, no mínimo, deveria estar dando satisfação de seus atos aos seus legítimos empregadores?
Pensem nisto, tal qual eu venho pensando...
OBS: Este não é um texto que busca polemizar e tão pouco ofender esta ou aquela instituição, apenas dou-me ao direito sagrado e inalienável, tal qual nossos edis fazem questão de afirmar veementemente em seus discursos, de expor com clareza e sem camuflagens, minhas dúvidas e certezas quanto as obrigações e direitos dos mesmos e os efeitos que ambos exercem na qualidade de vida que pode ser observada e sentida nos quatro cantos desta linda cidade, tão cantada, amada e idolatrada por tantos e defendida por tão poucos.


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