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SEM MEDO DE SER FELIZ


No dia primeiro de setembro, acordei inspirada e registrei neste blog a minha satisfação por estar tendo a chance de vivenciar a chegada de mais um radioso setembro, nesta cidade da qual me apaixonei há alguns anos atrás e que, desde o início, abrigou com respeito a mim e a minha família, fazendo-nos crer em todos os momentos que havíamos encontrado o nosso éden de paz.

E lá se vão oito anos, que mais parecem toda uma vida pela sensação de aconchego que por todo o tempo nos envolveu.

Fomos inseridos naturalmente no contexto cotidiano e sem que percebessemos já estávamos, através de nosso jornal, lutando, sonhando, sofrendo, ganhando e perdendo a cada instante na defesa dos direitos democráticos de todos nós, até mesmo em cima de um palanque, envolvidos que nos sentíamos no processo sucessório em 2008.

Extravasei, na ocasião, sem medo de ser feliz, em uma explosão de vida participativa, emoções represadas de filósofa social e me permiti, assim como me foi permitido, expressar sentimentos, idéias e opiniões.

Um ano se passou e novamente em um mês de setembro, vejo-me cercada dos mesmos antigos parceiros, hasteando surpresa a mesma bandeira de vida e liberdade e aí penso em cada palavra que escrevi ao longo de minha vida sobre o ser humano e na sua capacidade infinita de superação de limites, adaptabilidade e amor ao que deseja e acredita.

Penso também nos milhares de jovens anônimos que foram torturados e centenas mortos, justo por estarem engajados, como estou agora, acreditando estar contribuindo com suas vozes, caras pintadas ou simplesmente com suas vibrações amorosas nas ruas e plenários brasileiros, na defesa de uma humanização mais coerente com o potêncial geográfico de seu país.

É... décadas se passaram e por mais que digam o contrário, nada mudou no estereótipo da luta
democrática, pois existirá sempre o idealismo, a crença e a esperança de uma sociedade menos injusta e mais amável com seus cidadãos.

Volto, então, a ter a certeza que tantos sofrimentos na era da ditadura militar, que os nossos atuais jovens sequer são lembrados nas escolas e palanques, não foi em vão, pois existem os sobreviventes, como eu e tantos mais, idiotas sistêmicos, apalermados existenciais, que aonde estejam jamais se esquecem do sangue derramado e das dores sentidas pelo amor de um ideal, matéria prima invisível, mas consistente o suficiente para não deixar o sonho da humanização falecer.

E aí, de pé por sete horas seguidas, muitos com mais de cinquenta e outros, como eu, com quase 60, mantivemos, como jovens saudáveis e confiantes, erguidas as nossas bandeiras, como se em 1968 estivessemos, batalhando contra a opressão, o engodo e martírio de ver os ideais soterrados pela força do autoritarismo que cega, mata e no mínimo flagela a todos que com ela não comunga.

Bendita luta que revivo em Itaparica, bendita a força de carater que nos envolve, bendita dignidade cidadã que me foi ensinada e que busco através de meu trabalho resgatar junto as escolas, pois esta é a minha sagrada bandeira que não desisto em hastear na esperança sempre viva de encontrar um gestor visionário que o implante, para que os jovens que sempre existirão em todos os futuros, se permitam, como eu e tantos mais, erguer bandeiras, defendendo os seus direitos democráticos sem medo das possíveis perdas, amparados tão somente da vitória constante da certeza estrutural de estar vivendo coerentemente as suas crenças e ideais, fortuna inigualável que nos dá por todo o tempo a juventude eterna, o brilho do olhar que não se apaga nem mesmo diante do medo, mantendo a grande massa cidadã no aprisionamento cultural através de uma educação capenga e de direitos sociais falidos.

Bendito setembro que ora se acaba, repleto de luz, esperança e muito amor.

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