Pular para o conteúdo principal

Introdução à reeducação Vivencial - VIDA E LIBERDADE


Ao me interessar pelo estudo das emoções humanas e passar a observá-las, a princípio, percebi que as criaturas se expressavam posturalmente num misto de conveniência e medo, mas com o passar do tempo, a bagagem de variações foi aumentando e a conveniência foi perdendo espaço para o medo, que se tornou a tônica de minhas pesquisas e entendimentos.

Percebi também o quanto éramos despreparados para o convívio de qualquer natureza, não havendo nada além da pura expressão sensitiva guiando os relacionamentos, independentemente das diferenças culturais, políticas e sociais, levando-me à inevitável conclusão quanto a existência de uma genética emocional oriunda da necessidade compulsiva em transmitir-se a essência do que somos e, para tanto, não havendo necessariamente qualquer fator hereditário, permanecendo a convivência como motivadora e indutora postural físico e emocional, quase que absoluto, ficando apenas uma fracionada fatia menos expressiva às heranças genéticas, indubitavelmente ínfimas se comparadas às biológicas.

Sendo o sensitivo ponto chave na apresentação da figura que individualmente o elemento humano se apresentava, concluí não haver lógica quanto a presença marcante da emoção do medo, interferindo por todo o tempo, descaracterizando posturas que deveriam, em sua maioria, ser absolutamente mais naturalmente conscientes, levando-me novamente a concluir que este sensitivo estava em dicotonia em relação ao racional e este nas mesmas circunstâncias em relação ao conjunto representativo interno, que então se expressava externamente sem o saudável naturalismo sensitivo, indutor maior da prudência que, como guia anatômico, direciona toda e qualquer informação recebida pelos sentidos à mente racional, criando uma conecção cujo fluxo de afinidades são respeitadas, oferecendo à criatura uma vivência mais suave entre ela e o tudo mais que tenha que conviver, o que se inclui antes de tudo, ela mesma, não representando aí, nesta afirmativa, qualquer garantia quanto as inerências oferecidas pelo simples fato de se estar vivendo os desconhecidos, pois não cabe esperar-se imunidade e sim e tão somente um preparo maior e consciente, principalmente de sua própria existência como uma realidade palpável à ser vivenciada, ficando claro quanto ao tempo e qualidade da mesma.

Frente a estas conclusões, que fui descortinando ao longo de décadas de observação e experiências pessoais, e com uma gama imensa de material humano no convívio diário, fazendo registros e comparando-os entre si, fui delineando um perfil sistêmico altamente pernicioso e ao mesmo tempo constatando a inexistência de suportes orientadores quanto a exploração dos potenciais naturalmente presentes na constituição humana, que verdadeiramente representam uma auto-preservação , independentemente da herança genética e das induções sistêmicas de qualquer ordem.

A percepção quanto a necessidade em se oferecer à criança maiores subsídios quanto a exploração de seus recursos naturais, fez-me adentrar nas emoções, todas quanto me foi possivel identificar, selecionando-as por tipo e grau de intensidade, avaliando as origens e a necessidade em aplicá-las sistematicamente, formando assim um modelo diferenciado de criaturas humanas em conformidade com a sua natureza energética e interativa ao universo, o que se inclui as demais criaturas, sejam humanas ou não, em seu convívio cotidiano.

A partir desses estudos, fui adentrando na área educacional com o olhar tão somente de observadora, buscando encontrar critérios com os quais me fosse possivel tecer parametros avaliativos e qual foi minha surpresa ao constatar que infelizmente apesar dos esforços que sempre existiram quanto a um mais completo universo de informações didáticas, havia muito pouco quanto a estruturação emocional da pequena criatura direcionada a ela mesma, frente à gama infinita de inerências vivenciais com as quais teria de conviver.

Criar, portanto, um caminho de estudos nesta direção, passou a ser a minha meta de realização enquanto pesquizadora, independentemente de estar diretamente inserida no universo acadêmico educacional, o que compreendi ser um ponto positivo, justo por não me ver exposta às conjunturas do sistema, que certamente exerceria sobre o meu entendimento influências que me tomariam precioso tempo de filtragem emocional, uma vez que sempre existiu o entendimento quanto a presença resistente às mudanças de qualquer natureza, expressão maior da presença do medo no relacionamento humano . O objetivo de aperfeiçoamento como meta principal, manteve-me à respeitosa distância, onde me foi possível divisar os caminhos a serem delineados e aplicados a partir do ingresso da criança no sistema educacional, proporcionando à familia desta um suporte de apoio educacional, assim como em certas ocasiões, o único e sólido suporte de apoio que a criança viria a receber, diante de um quadro familiar desastroso.

A criação do método existencial, VIDA E LIBERDADE, surgiu através da curiosidade sempre presente em meu olhar de encantamento sobre o elemento humano e suas ações e reações e se desenvolveu sob a mesma ótica frente à posturas mais que distônicas em relação ao ato de se estar vivendo, que por todo o tempo sempre me pareceu simplesmente fantástico, independentemente de haver alternâncias, o que me levou, em dado momento, a comparar filosoficamente os instantes de vida ao vai e vem das ondas do mar, ora estilhaçando-se nos rochedos, ora deitando-se nas areias aquecidas pelo sol .

Transformei simbolicamente o sol em modelo de paixão pessoal, primeiro e único passo para se descortinar a vida que certamente pulsa em cada criatura e onde com certeza ela encontrará inspiração ilimitada para vivenciar cada instante desta preciosa atribuição que lhe foi conferida, que é simplesmente VIVER, sentindo, sendo e proporcionando VIDA.

--

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…