domingo, 13 de setembro de 2009

Crônicas do Cotidiano

foto: www.parcapuane.it

Hábitos inesquecíveis

Ainda pensando no quanto gosto deste mes de setembro e desta primavera que já coloriu o meu jardim tropical,não podendo e não querendo impedir as lembranças que afloram abusivas,não me deixando alternativa, se não tão somente vivencia-las.
Nesta manhã de domingo, acordei sentindo o aroma perfumado do café que minha mãe logo cedinho preparava para a família e é claro que com ele vinha o pãozinho francês que ela carinhosamente esquentava ao forno e que ao passar nele a manteiga,esta se derretia colorindo -o e saborizando aquele pão que mais que forrar o estomago naquelas manhãs inesquecíveis,aquecia a alma,nutria nossas passadas.E nestas lembranças que me fazem sorrir direciono-me ao meu despertar diário,sempre saudando a vida,herança bendita oriunda de uma aparente simples rotina.
E aí ,como filósofa ,insistente pensadora,fico crendo no quanto fazem falta os cafés ,os almoços ou jantares em que as famílias se reuniam em torno de uma mesa , induzindo seus menbros a no mínimo se olharem .Sinto que hoje tudo esta tão disperso,individual sem o calor afetivo ,primário e com sentido daqueles habitos rotineiros que reservavam em si, mensagens amorosas que estruturavam silenciosamente e que valiam mais que mil palavras,substituindo mil presentes, oferecendo mil formas de nos tornarmos adultos mais respeitosos.
Passei toda a minha vida não abrindo mão de meu café das manhãs,não importando a pressa dos compromissos que me aguardavam e para tanto, passei a acordar mais cedo,justo para ter o tempo bendito de dividir com a minha família o também bendito momento de interação.E já se vão 41 anos de rotina saudável e neste momento, sinto o cheirinho de meu próprio café que se funde ao de minha mãe, fazendo-me crer ainda mais no quanto somos capazes de difundir amor,reforçando raizes de solidez emocional, não abrindo mão de pequenas e doces lembranças,repetindo-as como em um ritual de preservação que afinal,nada mais representa que uma celebração ,mais que merecida por estarmos vivos.
E todas essas lembranças e pensamentos conclusivos, não me deixam esquecer o quanto tudo esta diferente,porta à fora. Os hábitos mudaram,a forma de vivenciar o tempo,mudou,mas as criaturas,porque não mudaram? Apesar de tudo ser tão diferente,elas continuam buscando os mesmos valores sem no entanto terem qualquer parâmetro que lhes sirva de norteamento de busca. Sinto-as por todo o tempo, ora carentes e solitárias, ora tristes e agressivas, ora esperançosas ,mas pouco confiantes.Penso então, que feliz sou eu que insistente, não abro mão de meus parâmetros, repassando-os a meus filhos e estes provavelmente aos seus e neste aspecto creio então que a corrente da fraternidade permanecerá resistente e disposta a vivenciar novos habitos e costumes.
Bendito portanto o café da DONA HILDA de todas as manhãs que me inspirou vida e que me reserva lembranças me fazendo reconhecer o brilho colorido de cada primavera dessses quase 60 anos de vida. Bem...,agora vou tomar o meu café com aquele pãozinho francês ,bem quentinho e é claro com a manteiga escorrendo que certamente sujará o canto de minha boca em mais esta manhã de domingo.AH! que bom....,nestes momentos sublimes,sinto DEUS porque sinto a vida.
Bom dia a todos!

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