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Ourivando


Passo a passo, devemos aos poucos ir nos deixando enxergar, permitindo-nos o direito em restaurar-nos, passando a vivenciar o entendimento de nós mesmos e do tudo do todo no qual estamos inseridos.

A tarefa maior de nossas vidas é justo nos tornarmos garimpeiros e ourives de nós mesmos e quando percebermos que, finalmente, além de exercermos qualquer outra tarefa, a esta, garimpar e ourivar sempre estará atrelada, aí sim, teremos atingido o êxtase da grandeza de nos reconhecermos um ínfimo elemento neste contexto universal.

Existir e vivenciar esta existência fica mais leve, porque ao garimpar, extraímos, e ao ourivar, moldamos, criando com todos os recursos disponíveis e reconhecíveis, onde não há necessidade de nuances desnecessárias, que irão nos transformar a cada instante em mestres de nós mesmos, artistas universais.

A sabedoria universal não é fruto exclusivista e sim resultado concreto de parcerias bem intencionadas. É preciso, no entanto, não esquecer que cada elemento tem a sua própria e única capacidade de observação. E este é o grande e constante milagre humano, que permite que cada elemento realize o seu próprio se souber conviver em seu habitat com os demais.

O que desejo lembrar em tudo que escrevo é que jamais estamos sozinhos, sejam nossas companhias visíveis ou não. Portanto, se não existe solidão e tão pouco isolamento, seja voluntário ou não, também não podemos dispensar estas parcerias.

Só podemos compreender com clareza esta imutável condição em que nos encontramos no exercício da vivência, quando atingimos a compreensão universal, que por ser simples e óbvia, também é desconsiderada, ou seja:

Não me é possível existir sem a parceria com os demais, assim como de mim outros também necessitam e juntos formamos um núcleo forte, sadio e rico em ramificações, que por sua vez se ramificam, criando sucessivamente pólos e mais pólos de vida pulsante. Todavia, se distorço cá o meu núcleo ou pólo vivencial, altero de forma significativa toda uma cadeia interligada na qual me insiro, pois sou elo de fundamental importância no contexto bioenergético.

Nestas infindáveis parcerias no qual estou inserido, sou único e diferente, mas isto não significa que não sou afim deste ou daquele. Afinal, tudo é diferente por mais semelhante que possa nos parecer. A sabedoria reside, em nos reabastecermos com o que é afim no diferente.

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