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A cada amanhecer

foto: mocambique3.blogs.sapo.pt

Sentada em minha varanda, neste amanhecer lento de inverno, faço o que mais gosto, que é observar a chegada dos pássaros, praticamente um a um na variedade de suas espécies, alguns mais agitados e ariscos que outros. São os meus cantadores do universo, que sem pedir licença invadem meu quintal, pousam em minhas árvores, num abuso aparentemente sem limites que naturalmente me fascina.

São estas criaturinhas de aparência frágil que, a cada amanhecer, reabastecem o meu imaginário, pois me aproprio de suas asas, também sem pedir licença e simplesmente vôo na busca constante do alpiste nutridor, que guardo seguro no fundo de mim mesma. E nesta troca cotidiana, ambos nos alimentamos, reabastecendo cada qual as suas necessidades numa interação perfeita, certamente onde o "me dê licença" não existe, porque de verdade não há invasão de limites .

E nesta troca de energias fantástica onde sou tão beneficiada, sorvo a vida na sua mais pura expressabilidade, fazendo-me mais resistente para o enfrentamento do sistema no qual habito, quando o dia finalmente amanhecer e faltar-me tempo e condições de tê-los tão próximos a mim a lembrar-me por todo o tempo que viver é tão somente um unico vôo, fracionado em instantes, cabendo tão somente a mim eterniza-los, através do meu respirar, do meu olhar e finalmente do meu sentir.

Bom dia a todos.

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Comentários

  1. Regina,

    ...Você foi muito feliz ao escrever esse texto. É belíssimo. As imagens são tão vívidas, que me vi também sentada a sua varanda.
    Meus parabéns.
    ...
    Meu nome é Noemia Meireles Nocera, sou psicóloga e escritora. Nesta conta, apresento-me como Morgana Gazel, meu pseudônimo literário.

    Um abraço,

    Noemia

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