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Constatação


Como uma persistente observadora, não posso deixar de expressar a decepção que venho sentindo em relação a total não participação através dos comentários neste blog. Somente três pessoas registraram o recebimento, justo por serem queridos amigos, além de uma escritora. Em um universo de cerca de 200 outras, não houve sequer qualquer atenção quanto a gravidade do assunto que estou tratando, o que me faz pensar que a situação alienatória das consciências está mais grave do que se poderia imaginar, se for levado também em consideração que um número expressivo dessas pessoas são profissionais diretos da saúde mental ou educadores.
Não tem havido sequer reações discordantes ou qualquer aditivo de curiosidade em querer saber, afinal, quem eu sou ou porque escrevo sobre as emoções e a educação tão intrinsicamente ligada à uma violência cada dia mais aprisionadora.
A priori, esta falta de participação poderia sugerir um desânimo, entretanto, se assim fôsse a muito eu teria desistido, pois ao longo de minha vida fui esbarrando por todo o tempo no desinteresse e ao contrário constatando um crescente interesse pelo banal, ou o que é pior, pela aceitação da banalização do horror. Não pode haver nada mais terrível que o abandono que impomos a nós mesmos sob mil e uma desculpas, sendo a falta de tempo como argumento principal para se manter os olhos vendados.
Escrevo para supostos formadores de opiniões, pessoas bem postadas na sociedade e sinceramente quero receber delas manifestações de apoio ou até de repúdio, mas é preciso que discutamos este assunto tão prioritário que é a melhoria da educação em nossa ilha em prol, de em um futuro mais próximo, todos sem excessão, possamos desfrutar de uma sociedade menos doída .
Portanto, continuarei a escrever, acreditando que em algum momento, minhas palavras, frutos de interesse real e genuíno pela nossa ilha como um todo, toque na sensibilidade de outros para, juntos, formarmos uma consciência coletiva que se ampare na lógica de que é preciso reverter esse processo de abandono no qual a nossa sociedade se encontra inserida.
Este abandono tem sido camuflado sistematicamente através de programas constantes em várias áreas de atuação com custos absurdos aos cofres públicos, sendo que grande parte deles não produz resultados alastradores, exatamente por serem puramente assistencialistas, sem conteúdo que se insira no emocional coletivo, provocando mudanças comportamentais que representam a única possibilidade de reais e sólidas melhorias no convívio interpessoal das criaturas envolvidas.
Esses projetos são abastecidos de boas intenções por quem os criam, mas como são engessados em suas formatações aplicativas, fogem das realidades localizadas, podando assim as possibilidades mais amplas de um sucesso mais evidente que produza uma mudança significativamente positiva.
Somos geograficamente um grande condomínio que foi mal dividido no passado e como esta questão não nos cabe tentar modificar, acredito que devemos nos concentrar nas fatias que nos cabem desta divisão sem perdermos o foco da outra, buscando uma interação participativa, pois compreendemos que uma interfere na outra por todo o tempo, até pela proximidade e hábitos necessários ao trânsito diário, como por exemplo a utilização das lanchas, ferry, hospitais e o comércio em geral. Portanto, acredito ser um absurdo sem precedentes, não nos atentarmos a não aceitação desta crescente violência que vem nos tirando o brilho de estarmos vivendo em um, digamos, paraiso.Todavia, nada terá sentido se não houver a conscientização de que o sistema educacional não pode ser enquadrado como uma peça individual, ao contário, ele tem que ser visto como um grande polvo, cujos tentáculos permanecem ligados a um só núcleo, que deva ser a estrutura gerenciadora, primeira a conscientizar-se de suas responsabilidades gestoras, imprimindo às suas posturas o entendimento de que não se pode pensar em alterações em prol de qualquer desenvolvimento se o alvo , o povo, em questão não for a meta principal à ser beneficiado em sua estrutura individual de pessoa e de cidadão.
Tudo é enxergado como educação porque tudo se mistura em uma interação participativa que precisa urgentemente ser conscientizada de sua existência. Esta é uma lógica na qual estamos todos inseridos e simplesmente sequer pensamos a respeito, o que nos mantem a todos em uma constante alienação vivencial, geradora de milhões de aspectos absolutamente devastadores a qualquer relacionamento humano e que explica o caos em que nos encontramos, o que inclui a convivência próxima com a miséria que é certamente a maior expressabilidade de nossa deseducação.
Ficarei insistindo pois não posso, enquanto vida tiver, desistir de transmitir todo o entendimento que como pessoa e cidadã absorvo no meu cotidiano. Esta não é uma iniciativa a curto prazo, mas certamente os resultados aparecerão já no seu início, como é mais do que indiscutível que colheremos a cada dia mais e mais frutos da falta de sua implantação.

Comentários

  1. Sem co men tá rio...simplesmente vc é D+...
    Não é por pouco, nem por nada, que sou sua fã!
    Muita paz e grande sucesso

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  2. Regina, parabéns pelo blog. Desejo p vc q conquiste todos seus objetivos. Internet é uma grande e poderosa ferramenta. Estamos divulgando este blog no www.ilhaitaparica.com , no menú Links. Favor conferir. Um grande abraço e conte sempre com o nosso apóio. Inés V. Grimaux

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  3. Oi linda!
    Que prazer receber o seu comentário.Preciso agradecer o carinho em colocar-me no site Ilha de Itaparica.Você ,sempre foi uma pessoa encantadora.O mundo, certamente ainda existe,porque existem pessoas solidárias e respeitosas como você e sua linda família.
    Beijos carinhosos da amiga Regina

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  4. Maria Cristina Moura10 de julho de 2009 03:43

    Olá Regina,
    Parabenizo-lhe pelo seu interesse neste "PARAÍSO". A educação e descaso é fato.Mulheres como voce ,que ai residem,vão ajudar e unir forças para chegarem a meta desejada.
    Através da Regina Gantois,outra mulher guerreira (que tem toda minha admiração),me enviou seu blogger, vou divulgar,esta ótimo.
    Não desista, conseguirás, unida às outras tantas mulheres de aço e flores(Fábio de Melo)voce chegará com luta e determinação onde queira...

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  5. Olá Cristina,
    Adorei receber sua mensagem. Que bom existir pessoas como você e a minha amiga querida Regina Gantois, que me ajudam a não desistir em espalhar amor pelo meu caminho. Venho desenvolvendo este trabalho ao longo de minha vida e espero ainda um dia publicar os livros que escrevi, que são em número de l5, sendo que somente 02 foram publicados (tenho todos eles publicados artesanalmente, em formato de livro). Receber apoio neste nosso pais é muito difícil, mas eu não desisto. Agradeço pela intenção em divulgar meu trabalho. Que Deus te abençoe hoje e sempre. Um beijo,Regina.
    PS - Espero que continue a acompanhar a publicação de meus textos, pois uma série de quatro palestras, intitulada "Coerência Existencial", está sendo apresentada em partes. Sua opinião e sugestões sem dúvida contribuirão e muito para o seu sucesso.
    Beijos, Regina Carvalho.

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