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O UNIVERSO SOU EU...


Já faz um tempinho que assim como de repente, lá estava eu numa maca fria de uma sala cirúrgica sem qualquer perspectiva, crendo estar indo a caminho do fim.
Estranhamente, volto a recordar que já não mais sentia medo, apenas um enorme frio que fazia doer os ossos da coluna e que congelara os lábios.
Olhava fixo para o teto, talvez buscando o sol através do grosso concreto, talvez, buscando um céu inspirador de tantos escritos.
Naquele instante, nada mais importava, nem mesmo eu, pois nada me era possível pensar.
De lá para cá, não faço outra coisa, além de me reeducar.
Exercitando a gratidão por ter voltado a vida.
Gratidão no sentido literal de não me permitir perder mais um segundo sequer, levantando bandeiras nas constantes batalhas, mas ainda assim, com tantos aprendizados, me vejo vez por outra no pódio do sistema, ensaiando o hasteamento.
Que se danem os mentirosos, os safados e encrenqueiros.

Que se danem os chulos que alimentam a fome.
Que se danem os tolos que do expurgo se saciam.
Que se dane a Dona Regina com seus sonhos libertários.
Quero mais é viver o tempo que me resta, enxergando e dizendo:
-Olá, para cada amanhecer.
Não é tarefa fácil, reaprender a viver, pensando no   mundo quando, sinto que o universo sou eu.
Acordei egoísta, talvez mais sábia, mas com certeza feliz.

“Para você que me lê, um domingo onde a partir de seu próprio universo, o mundo fique um pouquinho mais humanizado”.

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