Pular para o conteúdo principal
O TEMPO NÃO PARA
Faltam quatro dias para que 2015 se encerre e eu percebo, não sei se também com quem me lê, neste instante, que aquela euforia da proximidade de um novo ano em que se vivenciava no passado, já não acontece com a mesma ênfase, dando a impressão que até o Natal tem perdido um pouco de seu brilho e simbolismo.
Lembro-me que buscávamos fechar tarefas e pendengas, a fim de começar um novo ano com novas perspectivas e realizações e não como vem acontecendo sistematicamente, principalmente no mundo em que não temos acesso opcional de decisões, como por exemplo na política, levando-me a observar que de uma forma ou de outra, somos também silenciosamente induzidos a agir da mesma forma, empurrando com a barriga, pequenos e grandes problemas para o ano seguinte, contando somente com o tempo, que além de não parar, costuma ser solução pra inúmeras situações de nossas vidas, afinal, junto com ele, vem fatores circunstanciais que de uma forma ou de outra pontuam, enfraquecem e até mesmo encerram.
Não sei bem porque estou escrevendo sobre isto, talvez porque eu já não aguente mais as armações ilimitadas, caracterizadas por um cinismo criminoso e despudorado que tomou conta das condutas de nossos representantes, seja em qualquer área da vida pública, e aí, fico me perguntando se seremos capazes de evitar que nossos jovens se espelhem em tamanho absurdo se desde o amanhecer até o final do dia, em todos os meios possíveis de comunicação, o curso intensivo que recebem é o da vergonha nacional que, afinal, sempre, também de uma forma ou de outra, faz o malandro se dar bem.
Não há nada mais sem propósito que um delator ter sua pena reduzida e, ainda, ir cumprir pena em suas lindas e luxuosas residências, todas compradas com o dinheiro roubado dos cofres públicos, ao lado de seus familiares, enquanto nas cadeias, ladrões, assassinos e estupradores que a eles se igualam, se amontoam em celas fétidas e a população sofre nos saguões dos hospitais públicos, nas salas de aulas sem qualquer estrutura decente, tanto para alunos como para professores, e o país afunda na mais crítica das condições.
Que leis são essas com dois ou mais pesos a depender do grau hierárquico e econômico de seus habitantes?
Que Constituição é esta que há 27 anos diz garantir uma democracia e os direitos dos cidadãos, mas abre espaço protetor para todo e qualquer mantenedor da fome, da miséria e do constante abandono social que são os argumentos contrários à qualquer ato democrático, dependendo tão somente da expertise dos advogados de defesa e da interpretação final dos juízes, infelizmente muitos ainda comprometidos com a velha forma clientelista que tanto atrasou e prejudicou o avanço social do país.
Lá fora, onde verdadeiramente a Constituição é considerada a Carta Magna de seus países, na proteção de seus cidadãos, não há com certeza plenitude de direitos, mas falhas e distorções são problemas que encontram celeiros de discussões em busca de soluções reais, enquanto em nosso país, nossos líderes empurram sistematicamente para um depois, com total apoio constitucional e nós abestalhados sempre de plantão, vamos engolindo nem sempre a seco, pois afinal, falta-nos a consciência de nossos próprios direitos e a honradez de uma dignidade cidadã que se perde em meio aos valores invertidos com os quais somos por todo o tempo aliciados a admirar.
Precisamos urgentemente de um número maior de artífices de qualidade que garantam os nossos direitos, fazendo a Constituição de 1988 realmente ser um respaldo de garantias ao nosso tão abandonado povo brasileiro.
Até quando, o verão, os trios elétricos, as piadas e o nosso sempre bom humor darão um jeitinho brasileiro para conter a fome, a violência e a pouca vergonha constitucional?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PRESTAÇÃO DE CONTAS DO PRIMEIRO QUADRIMESTRE DE 2018

Estive, como sempre, presente na Câmara Municipal de Itaparica por ocasião da prestação de contas que, diga-se de imediato, foi didaticamente explicada ao público presente, que se resumia em sua maioria a funcionários da própria prefeitura e assessores diretos da gestão. No entanto, todo o evento foi transmitido ao vivo pela sua Rádio Tupinambá FM. Acompanhei os itens apresentados com a mente aberta ao entendimento, mas reconhecendo as minhas limitações contábeis, deixando-me ao direito de apenas buscar dados que explicassem os gastos em relação à arrecadação que, na avaliação de pessoa comum do povo, pareceram-me elevados ao pensar na precariedade em que a cidade vem vivenciando o seu cotidiano. Em vista desta premissa, fui registrando algumas perguntas que as explicações da especialista em finanças, assim como a Controladora do município, não foram capazes de esclarecer, até porque, não cabia a nenhuma delas tecer considerações sobre as decisões da gestora em relação ao destino das ve…