quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Buscando forças


Debruçada sobre o peitoril da janela da sala, observo a chuva que, intermitente, refresca o jardim e a mim, afinal o calor dos últimos dias foi, simplesmente, abrasador.
E pensar que nem sequer a primavera chegou, levando-me a imaginar, como será no alto verão.
Fecho os olhos e posso ouvir os ruídos diversos que a chuva provoca ao chocar-se ou, apenas, deslizar por sobre as plantas, flores e gramado, associando-se aos de alguns pássaros agitados que se esguelham por entre as folhagens, saindo de nossa visão, mas permanecendo de forma expressiva, especialmente, os sabiás, que distingo perfeitamente.
Os cães silenciaram, como se assim como eu, quisessem sentir profundamente este momento aparentemente comum, porém, repleto de mensagens subjetivas e vibrações que, somente os bichos e gente esquisita como euzinha, se permitem perceber.
Que coisa, hein!!!!!
Abro os olhos, por que sinto que algo mudou de repente, e junto com um leve arrepio, sinto vontade de escrever, registrar mais este momento da vida, onde fui pela milionésima vez, despertada para um momento simples que, de tão belo, se torna magnificamente único e, portanto, especial.
E todo o cansaço dos muitos estudos, que me fez parar minhas atividades e ir até a janela apreciar a chuva, num estalar de dedos desapareceu, dando lugar a um sorriso maroto, um respirar profundo, num agradecimento à vida.

Que nesta quarta-feira, o imperceptível do cotidiano se torne a sua fantástica realidade, oferecendo a magia da percepção de estar vivo, existindo, podendo apenas sentir, inclusive, o bendito cansaço.

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